Celebração do cinema brasileiro latino
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segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Rodrigo Juste Duarte<br> Equipe da Folha 
A terceira edição do Festival do Paraná de Cinema Brasileiro Latino, iniciada em 6 de outubro, chegou ao fim neste domingo, quando foi realizada a festa de premiação, no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba. O longa ''Feliz Natal'', primeiro dirigido por Selton Mello recebeu os Troféus Araucária de melhor som, trilha sonora, atriz (Darlene Glória, em excelente desempenho), além dos prêmios dos júris oficial e popular. Foi o filme mais premiado do evento, em cinco categorias.
Os maiores prêmios, no entanto, foram para a produção cearense, ''O Grão'', eleito melhor filme (premiação no valor de R$ 80 mil), além de melhor montagem; e para a paranaense ''Mistéryos'', de melhor direção para Beto Carminatti e Pedro Merege (R$ 110 mil, o maior prêmio dado em um festival do gênero no Brasil).
A consagração de ''Mistéryos'' dividiu opiniões. Metade do público vaiou e gritava o nome de Mojica, que saiu do evento com apenas um prêmio, de melhor direção de arte, para ''Encarnação do Demônio'' (além de um prêmio especial para o ator Rui Rezende, que interpreta o corcunda Bruno no novo filme de Zé do Caixão). Por outro lado, também houve vaias quando ''Mistéryos'' perdeu um prêmio, o de melhor ator - o público bradava por Carlos Vereza, mas quem levou foram Cláudio Gabriel e Sílvio Guindane, de ''Alucinados''.
Entre os latinos, o único premiado foi ''Villa'', por melhor roteiro. O filme do argentino Ezio Massa retrata a vida dos favelados em seu país . O londrinense Rodrigo Grota (dos curtas ''Booker Pittman'' e ''Satori Uso'', exibido como hour concours antes da cerimônia) recebeu o Prêmio Anníbal Requião, que contempla personalidades que se destacam no meio cultural.
Entre os curta-metragem, a animação ''Dossiê Rê Bordosa'', de Cesar Cabral, recebeu três prêmios, incluindo melhor curta pelo júri popular. ''Tira os óculos e recolhe o homem'', de André Sampaio, ganhou como melhor filme e melhor ator para Jards Macalé.
Nesta terceira edição, o festival cresceu, seja em número de produções exibidas (em longas, pulou de cinco para onze títulos, com curadoria exigente) quanto no valor das premiações. Teve seus méritos e defeitos. A presença de nomes populares como Selton Mello e José Mojica Marins foi um grande feito, que trouxe um aumento de público. No entanto, ainda é preciso uma divulgação mais direcionada, além de uma cobertura maior da imprensa nacional - fator importantíssimo para um festival como este se projetar. Mas para isso, é preciso mudar sua data, pois o evento coincide com o Festival do Rio, o que impossibilita os jornalistas de outros estados de comparecer.


