Cegos nas instituições de poder
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segunda-feira, 05 de outubro de 2015
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local
Olhares curiosos, de espanto e repulsa foram algumas das reações das pessoas que observavam a performance urbana "Cegos", resultado de uma oficina da 13ª edição do Festival de Dança de Londrina. Uma das atrações mais esperadas do festival, a apresentação trouxe participantes (artistas, estudantes e pessoas da comunidade) vestidos com trajes sociais, com vendas nos olhos e cobertos de argila. As mãos, pintadas de vermelho, faziam uma alusão ao sangue humano. O grupo passou pelo Centro Cívico, em frente à Catedral e uma igreja evangélica no centro da cidade - onde houve pequena manifestação de descontentamento - e, depois, seguiu para as obras do Teatro Ouro Verde e a região dos bancos no Calçadão.
Segundo Priscilla Toscano, diretora do grupo de teatro, performance e intervenção urbana Desvio Coletivo, de São Paulo, um dos objetivos da proposta é que, ao passar em frente aos espaços públicos e instituições que representem os poderes financeiros, político e religioso, causem um estranhamento estético e chamem atenção do público. "Fazemos uma crítica política e poética sobre a automatização dos movimentos e, também, ao estado de petrificação que envolve o estilo de vida da sociedade contemporânea, resultado de um sistema que não olha para as pessoas. É uma performance que permite diversas leituras; a maioria associa à sujeira que é a corrupção", destacou. O grupo já levou a performance para 37 cidades de sete países.
Hoje, a programação do festival traz o Ballet de Londrina com o espetáculo "Sem Eira Nem Beira", às 20h30, no Circo Funcart. Em seguida, entra em cena o Ballezinho, com "Déjà Vu".