São Paulo - Após um período com poucos personagens em evidência, o humorista Wellington Muniz, conhecido como Ceará, tem motivos de sobra para comemorar o sucesso de suas atuais imitações no "Pânico na Band'' (Band). Seu mais novo trunfo é Regina Ralé, sátira da apresentadora Regina Casé, no divertido "Ixxxkenta!''. "Já havia feito ela antes, com o nome de Valgina Casé, mas a imitação não deu certo. Não era o momento'', comenta ele.
Para o papel, Muniz encara quase uma hora de preparação e assiste a inúmeros vídeos da apresentadora antes de gravar. Já para Micome Bahls, imitação de Nicole Bahls, que voltou recentemente ao "Pânico'', é preciso apenas maquiagem, roupas mais justas e o bônus de ter a própria imitada como colega de trabalho. "Estou aprimorando essa personagem e fico observando a Nicole, que me dá muitas dicas sobre o jeito dela'', diz ele.
Diante dos novos sucessos, o humorista se deparou com o fato de interpretar diversas mulheres. Narcisa Tamborindeguy, Hebe (1929-2012), Marília Gabriela, Dercy Gonçalves (1907-2008), Simone e Maria Bethânia. "É sem querer. Vivo entre tantas mulheres, que acabo imitando-as.''
Rosto, voz e corpo completamente entregues aos personagens, o humorista conta que, ao estrear uma imitação, não imagina se ela dará certo ou não. "Não faço a sátira para mim ou apenas para agradar quem estou homenageando, mas, sim, para o público, que quer ver humor, quer se divertir.'' Nas redes sociais, Muniz tem mais de 4 milhões de seguidores, fãs com quem ele faz questão de compartilhar as novidades. "Esses sites nos deixam mais próximos do fã. O humor está conectado à internet.''
Embora considere que suas imitações são uma forma de homenagear personalidades, o comediante tem de lidar também com aqueles que parecem não entender suas piadas. É o caso do autor de novelas Aguinaldo Silva, que repudiou a imitação Aguinaldo Senta e ganhou na Justiça o direito de ter os vídeos em que é imitado retirados da internet. "Eu respeito a obra e a história dele, mas também perdi a vontade de imitá-lo. Tem mais gente melhor. Se ele não gostou, poderia ter entrado em contato comigo que eu daria jeito de mudar algo.''
Silvio Santos, uma de suas sátiras mais conhecidas, também está proibido de ir ao ar pela Band. "Todo imitador começa querendo fazer o Silvio. Sou muito grato pelos anos em que pude imitá-lo. Se um dia puder fazê-lo novamente, farei, mas sem deixar de lado outros personagens'', comenta ele, que confeccionou um microfone igual ao do dono do SBT e, depois, comprou um original da Alemanha.
Muniz conta que, no ano passado, teve uma briga com o diretor do "Pânico na Band'', Alan Rapp, e que a divergência foi superada. Na época, uma das causas da discussão seria a perda de espaço do humorista na atração. "Quando você tem uma carreira, é assim, há altos e baixos, e o importante é encontrar o equilíbrio. O 'Pânico' é uma família, e o fato de trabalharmos juntos há tanto tempo nos faz conhecer melhor o outro. O ego não fala mais do que o talento.''

Datas importantes
Aos 40 anos, Wellington Muniz se recorda do adolescente que nasceu em Fortaleza, filho de uma cabeleireira e de um policial, que era tímido e que, aos 14 anos, apaixonou-se pela arte de imitar. "Aos 16, larguei o curso de torneiro mecânico e disse ao meu pai que queria ser humorista de TV. Ele me xingou tanto'', recorda.
Em 1989, suas imitações ganharam os bares e as rádios do Ceará e, em 1997, foi convidado para integrar a trupe do "Pânico'' -na época, sucesso na rádio. Neste ano, o programa de rádio completa 20 anos, e o de TV, dez. "Vamos ficar de cabelos brancos fazendo o mesmo humor jovem de sempre. Espero que, no futuro, lembrem-se do humor feito antes e depois de nós'', diz.
Inquieto, o humorista adianta seus novos papéis. Em breve, uma imitação do jornalista José Luiz Datena deve voltar ao ar, e, entre as estreias, estão Marco Antonio de Viagem, sátira do cabeleireiro Marco Antônio de Biaggi, e uma imitação de Sidney Magal. "O Gui Santana [colega de trabalho] me disse que ficaria ótimo imitar o Magal, que sou parecido com ele. Estou focado nisso'', diz. "Humorista é como lutador de MMA: treina muito para fazer bonito na hora certa."

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