CD roubado e bem misturado


Nelson Sato
Nelson Sato

A ladainha cafajeste, as bundas de mulheres ilustrando o encarte e a já insuportável mistura de ritmos requentam os Raimundos para quem tem irmão caçula em casa.
Só No Forevis, o novo disco da banda brasiliense, é para pirralhos. Soa datado para quem conheceu seus primeiros trabalhos e atravessou boa parte desta década engolindo as dúzias de clones que se sucediam nas rádios tentando imitar Rodolfo (vocal), Digão (guitarra), Canisso (baixo) e Fred (bateria).
O disco era para chegar às lojas esta semana, mas todo o lote de 100 mil cópias do CD foi roubado do depósito da gravadora WEA no último domingo, no Rio de Janeiro. A previsão é que uma nova tiragem fique pronta no dia 27. ‘‘Se alguém ver uma cópia do CD por aí, chame a polícia porque ela é produto de roubo’’, avisa o baterista Fred, em entrevista por telefone.
A volta às origens musicais do grupo se evidencia já na abertura do CD, com uma brincadeira em versão pagode de ‘‘Selim’’, o hit do disco de estréia. Olhando as letras, nota-se que o vocabulário do quarteto não evoluiu muito desde a época em que tocavam em palcos mixurucas de festivais alternativos. Continuam cuspindo a meia dúzia de palavras impublicáveis, reunidas em versos de inspiração pornô.
Só No Forevis foi produzido por Tom Capone, Carlos Eduardo Miranda e Mauro Manzoli. Apenas a faixa ‘‘Boca de Lata’’ traz a assinatura de DZ Cuts. Nesta, o quarteto incursiona pela primeira vez no rap remetendo à primeira fase dos Beastie Boys.
As demais canções seguem a rigor a fórmula que garantiu o estouro dos rapazes combinando hardcore com forró, ska e, desta vez, até pagode e country music. O hibridismo rítmico, convém lembrar, havia sido abandonado no álbum anterior Lapadas do Povo(97), quando a opção pelo metal pesado parecia apontar um novo caminho para a banda.
Aquele disco, considerado por Fred ‘‘o mais importante da carreira dos Raimundos’’, foi produzido em estúdios americanos pelo inglês Mark Dearnley, que já havia trabalhado com AC/DC e Black Sabbath. Fred lembra que todo o processo de gravação foi feito às pressas, longe de casa e dos amigos, daí a suposta atmosfera introspectiva e a sonoridade densa conferidas às faixas.
O novo material, ao contrário, foi gestado sem urgência e em clima de recreio. As gravações foram feitas em Brasília. O baterista descreve o novo repertório como uma espécie de ‘‘coletânea dos quatro discos lançados pela banda’’. ‘‘Não mudamos. Apenas resgatamos a onda das misturas e mantivemos o peso do Lapadas’’, diz ele. A faixa-promocional ‘‘Mulher de Fases’’, já exaustivamente executada em algumas FMs, foi escolhida para virar clipe junto com ‘‘A Mais Pedida’’, que traz participação de Érika Martins, a bela vocalista da banda baiana Penélope Charmosa.
Além dela, a lista de participações no disco inclui Bi Ribeiro (dos Paralamas) no ska ‘‘Me Lambe’’, Gabriel (ex-Little Quail) em ‘‘Aquela’’, Alexandre (Nativus) e Black Alien (Planet Hemp) em ‘‘Deixa eu Falar’’ e o grupo Los Djangos em ‘‘Língua Presa’’. O grupo ainda não planejou a turnê promocional do álbum. Mas um show está marcado para o Rio, no dia 5 de junho.

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