Cd-rom mostra telas brasileiras
Fernando Oliva
Agência Folha
ReproduçãoCândido Portinari, dono de pintura vigorosa, integra o modernismo brasileiro e é considerado o
pintor mais famoso do PaísA pintura modernista brasileira não é tema assim tão árido que não possa ser encarado como um passeio por estilos, escolas, períodos e, sobretudo, quadros. E Lorena Calabria parece bastante à vontade no papel de cicerone do caminho traçado por nossas telas modernas de 1901 até 1953. A desenvoltura da apresentadora do Metrópolis (TV Cultura) não é a única vantagem da Enciclopédia da Pintura Modernista Brasileira de 1901 a 1953, que acaba de chegar às livrarias. Didático, o CD-ROM divide esse percurso de 52 anos em cinco momentos, e Calabria nos diz como chegar a 171 quadros - trajeto incrementado pelo contexto histórico e panorama cultural de cada uma das épocas.
A enciclopédia, uma ferramenta interativa dirigida principalmente a não-iniciados, não é mera exposição das telas produzidas no período, mas um recorte que permite compreender momentos-chave do modernismo. O período batizado Variedade e Homogeneidade, por exemplo, associa a produção artística entre os anos de 1931 e 1940 ao que acontecia nas artes à época (Núcleo Bernardelli, Grupo Santa Helena), além de fornecer um paralelo com o momento histórico do país (início da Era Vargas). Mas a verdadeira sacada do CD-ROM - e que constitui o seu diferencial - é a análise passo a passo dos quadros. Vinte e quatro pintores têm obras esquadrinhadas por geometria, composição, cores, representação e significado.
Essa interpretação passo a passo permite ver a tela sob uma perspectiva distinta da habitual -pelo menos tecnicamente, para quem não está habituado a observar pinturas com maior atenção.
AcervosDentre as obras reproduzidas pelo CD-ROM, apenas seis pertencem a acervos particulares. Para quem não se contenta com o suporte eletrônico, ou quer simplesmente rever a obra após tê-la analisado por meio do CD, a maioria das telas pode ser vista nos principais museus de São Paulo (Masp, MAM-SP, Pinacoteca, Museu Lasar Segall, MIS-SP, Instituto de Estudos Brasileiros-USP) e do Rio (Museu Nacional de Belas Artes e MAM-RJ).
Um reparo a ser feito é a ausência de análise profunda das obras de artistas importantes como Manabu Mabe, Arcangelo Ianelli, Oswaldo Goeldi e Mira Schendel. A seleção de artistas do CD busca ser a mais abrangente possível - mas em tal quantidade que acaba incluindo nomes dispensáveis ou de importância discutível. Quem, por exemplo, já ouviu falar do carioca Carlos Chambelland (1884-1950) ou do paraense Quirino Campofiorito? O glossário de termos artísticos é outro didatismo bastante útil e define expressionismo, muralismo mexicano, surrealismo e outras 13 escolas das artes plásticas.
Não se assuste com as dimensões da caixa da Enciclopédia da Pintura Modernista Brasileira, três vezes maior que o CD-ROM que ela carrega. Isso é prática comum, no Brasil e no exterior, visando um consumidor ainda pouco habituado ao tamanho reduzido do suporte eletrônico. Tudo para que o produto seja visto com mais facilidade nas prateleiras das livrarias. A editora Próxima Mídia - que produziu a enciclopédia com apoio da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura e do Banco Pactual - promete lançar mais um CD-ROM sobre pintores brasileiros ainda este ano. Dessa vez, só com artistas contemporâneos.





