CCSP mostra a diversidade da dança contemporânea de SP
CCSP mostra a diversidade da dança contemporânea de SP14/Mar, 15:37 Por Karla Dunder São Paulo, 14 (E) - A diversidade da dança contemporânea invade o Centro Cultural São Paulo (CCSP). A partir de amanhã (15), e até o dia 9, serão apresentados seis espetáculos em "Solos, Duos e Trios". A Sala Paulo Emílio Salles Gomes abrigará durante quase um mês, às 21h30, de quarta a sábado e, 20h30, aos domingos, uma série de trabalhos de grupos paulistas. Nesta semana, serão encenados o solo "Koan", de Gícia Amorim, com duração de dez minutos. Em seguida, o duo "Absinto", de Andréa Pivatto e Paula Santos. Para encerrar, o trio "Rosso", de Cristina Salmistraro, com Georgia Lengos e Gabriela Delias, com 30 minutos de duração. Do dia 29 até 2 de abril, "Circuito Interno" mostrará o movimento que surge da anatomia do corpo, dos sentidos e das particularidades da percepção. Entre os dias 5 e 9, João Andreazzi traz "Sob os Olhos de Alguém", um solo que mistura passado, presente e futuro, utilizando um slide antigo que remete à infância. Para encerrar, "Lar Doce Lar", de Luiz de Abreu, recria todo o charme dos anos 50 com as músicas de Dalva de Oliveira e o rádio. Em cena - A bailarina Gícia Amorim abre a programação do "Solos Duos e Trios" com o solo "Koan". Utilizando o método Cunningham, que consiste na independência entre o cenário, a música e os elementos coreográficos, Gícia compôs essa peça baseada na água e montou a dança em paralelo aos processos da natureza. A movimentação é leve, fluida, e o público poderá observar atentamente o esforço físico, os gestos e a utilização do espaço. "A intenção é que as pessoas percebam os movimentos e tirem conclusões de acordo com as próprias experiências", explica a bailarina. "Koan" é uma maneira de compreender o mundo e representa mais uma etapa da pesquisa de Gícia Amorim, professora autorizada a ensinar e a desenvolver as técnicas do polêmico coreógrafo americano Merce Cunningham. O duo ficou por conta da coreógrafa Andréa Pivatto e direção cênica de Jamil Dias. A idéia de fazer essa coreografia surgiu em uma conversa de bar. A peça, que chegou a ser aprovada pelos organizadores do "Solos, Duos e Trios", contava com um homem e uma mulher diante do fel de uma separação. No entanto, com a saída de um bailarino, o projeto precisou sofrer alterações e, obviamente, apresentar toda a documentação novamente aos organizadores. "Foi a pior semana da minha vida, mas conseguimos exibir um programa interessante", desabafa Andréa que, em vez de um casal, optou por duas mulheres no palco. "Absinto" mostra como duas pessoas vivenciam a amargura de maneira diferente. A dor pode levar ao crescimento ou, de uma maneira mais passional, à perda do equilíbrio. Reações distintas com o mesmo fim, a diluição da dor. "A peça procura demonstrar, de acordo com Jung, que o absinto é toda a ausência de doçura, é uma planta aromática que simboliza a dor, principalmente sobre a forma de amargura, em especial a dor provocada pela ausência," explica Andréa. Dessa forma, Andréa Pivatto e Paula Santos encenam, em meio a camisas de homens e taças de absinto, o sofrimento do abandono. Depois de todo esse sofrimento, "Rosso" (trio), de Cristina Salmistraro, traz a força vibrante do vermelho. É uma tentativa de explorar o imaginário corporal dessa cor. O trabalho é o resultado de várias pesquisas, como do universo feminino e de que maneira o vermelho habita a mulher, em várias manifestações artísticas, como as artes plásticas e no cotidiano. "'Rosso' é uma cor que instiga a sensualidade, a força, e pode ser manifestada de várias maneiras, como por meio de um olhar, por exemplo". É dessa maneira que Cristina apresenta o espetáculo, que mistura influências da linguagem corporal francesa com ritmos orientais e principalmente ciganos. Serviço - "Solos, Duos e Trios". De quarta a sábado, às 21h30, e domingo, às 20h30. Centro Cultural São Paulo, Sala Paulo Emílio Salles Gomes (110 lugares). Rua Vergueiro, 1.000. Tel. 3277-3611, R. 248. R$ 5.





