CCBB do Rio inaugura dia 12 mostra de quadros de Andy Warhol
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quinta-feira, 16 de setembro de 1999
Por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 17 (AE) - O artista plástico Andy Warhol ficou mais conhecido pelo comportamento e opiniões do que trabalhos. Mas o público carioca conhecerá boa parte da obra dele a partir do dia 12, quando o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) inaugura mostra de quadros. Serão expostos 250 quadros do papa da pop art, desde as primeiras obras, na década de 50, até meados dos anos 80, quando morreu, no auge da fama.
A exposição era esperada há mais de quatro anos, mas só foi possível trazê-la com o patrocínio da Ford e do CCBB, que fecha assim a comemoração de dez anos. As obras pertencem à coleção do colombiano radicado nos EUA José Mugrabi, que comprava tudo o que Warhol produzia. Elas ocuparão cinco salas do centro cultural, que terá ainda mostras de vídeo sobre o artista plástico, embora os filmes dele tenham ficado fora do evento.
Para o diretor do Museu de Arte Moderna (MAM) Agnaldo Faria, autor do texto brasileiro do catálogo da exposição, Warhol é importante tanto pelo valor intrínseco dos trabalhos como por ter sido o primeiro artista a denunciar e também a se beneficiar sem culpa do cinismo e do subjetivismo do mercado de arte neste século.
Os primeiros trabalhos de Warhol apontavam nessa direção
especialmente quando pintava quadros baseados em histórias em quadrinhos ou recorria à criatividade alheia, como nas ilustrações do livro "A la Recherche du Shoe Perdu", de 1955. Já no início dos anos 60, começou a série de retratos de Jackie Kennedy, Marilyn Monroe e Elvis Presley, para, depois, criar os clássicos quadros com a lata da sopa Campbell. No fim da década, cria a Factory, ateliê de criação de obras de arte e novas idéias e ponto de encontro de músicos, poetas, atores e artistas plásticos.
Os anos 70 encontram Warhol como um personagem do jet set internacional e um artista plástico que nega a importância do ofício, mas é capaz de criar obras definitivas, como a capa do disco Sticky Fingers, dos Rolling Stones (a da calça jeans cujo zíper pode ser aberto) ou do álbum de lançamento do Velvet Underground (a da famosa banana). Produz também filmes de qualidade mediana, mas como artista, o prestígio dele só é comparável ao cinismo declarado com que aceita homenagens. Nos anos 80, dedica-se à TV e faz a série de serigrafias Childrens Painting, para o público infantil.
A exposição do CCBB vai abordar todas essas fases, dividindo a obra de Warhol cronologicamente. Numa das salas estarão os trabalhos dos anos 50, em seguida, vêm as pinturas dos anos 60, quando ele se tornou um dos principais artistas pops. Os retratos de personalidades mundiais feitos nos anos 70 e 80 ocupam uma terceira sala e as serigrafias para o público infantil ficam em outra. A quinta sala é ocupada com os últimos trabalhos, incluindo os quadros pintados para a última exposição
em 1987, no Palazzo delle Stelline, de Milão, na Itália.
Além do catálogo com a reprodução de todas as obras, o público receberá folhetos para acompanhar a exposição didaticamente. "Mesmo quem só conhece o personagem Warhol vai sair da exposição sabendo por que ele ficou tão famoso", adianta o organizador da mostra, Felipe Taborda.


