Após quatro anos da edição do livro ‘‘Só as Mães São Felizes’’, um depoimento visceral sobre Cazuza, Lucinha Araújo, novamente em parceria com a jornalista Regina Echeverria, organiza a obra de seu filho no livro ‘‘Preciso Dizer Que Te Amo’’ (Editora Globo). A obra reúne letras e poesias inéditas de Cazuza – num total de 78 –, fotos, textos informativos sobre a sua carreira, canções já registradas em disco e suas histórias contadas pelo poeta e seus parceiros. O lançamento do livro ocorreu ontem no Rio, quando Cazuza estaria completando 43 anos.
Didivido em 12 capítulos que respeitam a cronologia da carreira de Cazuza, o livro contextualiza historicamente cada período marcante na sua vida, desde a catarse vivida no início do Barão Vermelho até a fase anterior à morte, em que criava com urgência, sem nenhum tipo de resignação. ‘‘Foi muito prazeroso trabalhar com a minha ótica jornalística na produção dessa obra. Cada página foi produzida com extremo cuidado e todos os processos foram sincronizados num objetivo de fazer bem-feito’’, afirma Regina Echeverria. Esse fator, abordado por Regina, em nenhum momento esfria a sensibilidade de Cazuza, presente em todo o conteúdo de ‘‘Preciso Dizer Que Te Amo’’. Como observa Lucinha, a edição foi carregada de empenho em documentar a obra de seu filho, sem os resquícios da amargura, presente na obra anterior.
Caetano Veloso enumera, no prefácio, uma série de informações e reflexões para ilustrar que o pensamento de Cazuza é ensinamento sobre o Brasil e, nas entrelinhas, ele deve e pode ser usado para ‘‘ensinar o mundo’’. O seu relato, também em sincronia com a objetividade do livro, tem momentos de explícita emoção: ‘‘Podemos chorar de saudade de Cazuza. Mas sempre tornamos a nos alegrar com sua presença divertida e desafiadora, porque ele é uma das pessoas que mais sabem expressar esse fato dificílimo de entender e admitir: os humanos somos todos imortais.’’
Além do depoimento de Caetano, todos os parceiros do poeta foram entrevistados e revelações feitas, entre eles Frejat, Dé, Lobão, Ezequiel Neves (esse foi consultor direto nesse trabalho), Bebel Gilberto, João Donato, George Israel, Nilo Romero e Orlando Morais. Num dos ‘‘segredos de liquidificador’’ (título usado para indicar os depoimentos) há ótima história da canção ‘‘Malandragem’’. Frejat, parceiro de Cazuza, conta que a música foi feita para Angela Rô Rô, em 1988. Ela a cantaria no seu disco ‘‘Prova de Fogo’’. Angela guardou a música. Em 1994, Frejat achou que canção era a cara de Cássia Eller e ligou para Angela. ‘‘Com sua habitual sinceridade ela disse: ‘Cazuza não te disse? Não gostei, não! Achei uma m...! Não vou gravar nunca!’ Aliviado, entreguei ‘Malandragem’ para Cássia’’, relata Frejat. As recordações vão muito além e passam por todos os lados da vida de Cazuza. Não há como não se comover.

mockup