São Paulo, 07 (AE) - Francisco Batista Ribeiro, conhecido como Caxico, fiscal de fronteira na região de Caldas, em Minas, foi o último brasileiro condenado à morte no País. No dia 8 de janeiro de 1857, jurando inocência num caso de latrocínio, Caxico, então com 30 anos, foi enforcado. Para contar a história, o diretor Zé Eduardo Amarante montou o espetáculo "Caxico", que estréia amanhã (08) na Sala Jardel Filho, no Centro Cultural São Paulo, com a Cia. Ararama da Cooperativa Paulista de Teatro.
Nascido na mesma região que Caxico, o diretor Amarante cresceu ouvindo histórias sobre o último condenado à pena capital. Para saber mais, iniciou uma pesquisa de dez anos. Ao término, o diretor diz ter descoberto que o condenado era inocente. Caxico percebeu que o tráfico de ouro corria solto na região e fez uma denúncia. "Mas as autoridades de Caldas e integrantes da corte lucravam com o tráfico e decidiram livrar-se de Caxico", explica.
Segundo ele, a trama para incriminar o fiscal era a seguinte: outro fiscal, Nascimento, fora contratado para dividir os trabalhos com Caxico. Depois de conquistar sua confiança, Nascimento oferece a Caxico a oportunidade de comprarem um rebanho. Caxico recusa, alegando falta de dinheiro. Mesmo assim, o novo fiscal faz o negócio em nome dos dois e não paga. Depois, espalha na cidade que o dono do rebanho está atrás de Caxico para cobrar a dívida. E o cobrador aparece morto. Nascimento apresenta-se à polícia e acusa Caxico de ser seu cúmplice. Caxico é preso um ano depois e Nascimento acaba solto.
Primeira pergunta que fazem ao diretor é se as famílias dos condenados não recorriam da sentença. "Quase nunca porque, além da humilhação de ser parente de um condenado, como punição a família tinha os bens confiscados", explica Amarante. Resultado, as famílias não apenas esqueciam os casos, como trocavam de nome para preservar seus bens. Pesquisa - Uma das maiores dificuldades do diretor nas pesquisas foi encontrar documentos e, depois de localizá-los, conseguir lê-los. O diretor teve acesso a uma condensação do processo de Caxico, escrita em 1950. Diz que após a leitura do texto concluiu que Caxico era inocente. A peça definida pelo diretor como tragicomédia musical começa com o enforcamento e prossegue até o corredor da morte, onde Caxico viveu algum tempo. O protagonista é interpretado pelo ator Gustavo Engracia. Ele chegou a ter o julgamento anulado por d. Pedro II, mas acabou condenado em novo julgamento. Serviço - "Caxico". Tragicomédia. Texto e direção de Zé Eduardo Amarante. Duração: 1h20. De quinta a sábado, às 21 horas; domingo, às 20h30. R$ 12,00. Centro Cultural São Paulo - Sala Paulo Emílio Salles Gomes. Rua Vergueiro, 1.000, tel. 3277-3611. Até 7/11.

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