Catástrofe iminente nas telas
‘‘Impacto Profundo’’ entra em cartaz hoje nos cinemas brasileiros
Ana Lúcia do Vale
Cult Press
DivulgaçãoCena de ‘‘Impacto Profundo’’: cenas de ação e efeitos especiaisUm cometa do tamanho de Manhattan está em rota de colisão com a Terra no filme ‘‘Impacto Profundo’’, que entra em cartaz no Brasil. Produzido pela Dreamworks SKG, inevitavelmente ‘‘Impacto Profundo’’ tem a marca de um dos sócios da produtora: Steven Spielberg. ‘‘Impacto Profundo’’ mistura dramas pessoais envolvendo crianças e mulheres, que despertam lágrimas propositais nos espectadores, além de cenas de ação e efeitos especiais. A própria diretora Mimi Leder, de ‘‘O Pacificador’’ - outra produção da ‘‘Dreamworks’’ - é cria de Spielberg. Mimi foi pinçada para o cinema depois de ter dirigido episódios do seriado ‘‘Plantão Médico’’, dos quais Spielberg é produtor executivo.
Com um orçamento de polpudos US$ 80 milhões, ‘‘Impacto Profundo’’ conseguiu bater um recorde de estréias fora de feriado nos Estados Unidos. Angariou na primeira semana US$ 41,9 milhões. Era previsível que isso acontecesse. Assim como ‘‘Independence Day’’, ‘‘Impacto Profundo’’ mexe com o orgulho norte-americano. O filme mostra a reação dos heróicos ianques à iminente destruição da Terra, liderados por ninguém menos que o próprio Presidente dos Estados Unidos.
O presidente é curiosamente interpretado por Morgan Freeman, de ‘‘Conduzindo Miss Daisy’’ e ‘‘Seven’’, ‘‘Os Sete Pecados Capitais’’. ‘‘Não o escolhemos por ser negro e causar impacto. Mas porque é o tipo de pessoa que outros poderiam seguir por transmitir confiança’’, tenta justificar o produtor David Brown. A idéia para o filme nasceu do próprio Brown - um octogenário da indústria do cinema que deu uma das primeiras chances a Spielberg em ‘‘Tubarão’’. Há 22 anos, inspirado na ficção científica de George Pal ‘‘When Worlds Collide’’, de 1951, Brown e o também produtor Richard Zanuck criaram o argumento de ‘‘Impacto Profundo’’. Na época, a Paramount demonstrou interesse, mas por mudanças na direção do estúdio o projeto foi abandonado e só retomado há quatro anos.
‘‘Impacto Profundo’’ traz várias histórias paralelas de como as pessoas vão lidando com a quase inevitável destruição da Terra. Uma delas é de Jenny Lerner, feita por Téa Leoni, a louríssima protagonista do seriado ‘‘The Naked Truth’’, da Sony. Jenny é uma ambiciosa repórter que descobre que o governo esconde um grande segredo e cai nas graças do Presidente ao ocultar a descoberta do cometa. Robert Duvall é um astronauta veterano que lidera corajosamente a nave Messiah mandada para o espaço para tentar explodir o cometa. Ou, pelo menos, conseguir desviar sua rota.
Vanessa Redgrave faz a mãe da repórter que tenta enfrentar a morte iminente com dignidade. Pela idade avançada, não é selecionada para o abrigo subterrâneo construído pelo governo. Como uma espécie de arca de Noé, são mandados para o abrigo cientistas e intelectuais, espécies de plantas e animais. Fora os 800 mil cidadãos americanos escolhidos de forma aleatória pelos números do seguro social. Tentando manter um tom politicamente correto, fica claro que outros países também fazem o mesmo para salvar seus cidadãos. Mas impera o conceito prepotente de que os americanos seriam os eleitos para iniciar a reconstrução do planeta.
A existência do cometa é descoberta acidentalmente por um jovem numa aula prática de astronomia. O personagem é feito por Elijah Wood, de Flipper. O garoto é selecionado para o abrigo, mas a namorada, feita por Leele Sobieski, de ‘‘Meu Filho das Selvas’’, e a família dela ficam de fora. Motivo suficiente para lacrimosas cenas de desencontro e correria quando ele tenta a todo custo trazê-la para o abrigo.
‘‘‘Impacto Profundo’ é mais sobre histórias pessoais. Os efeitos especiais são a cobertura do bolo’’, acredita o produtor Brown. Não deixa de ser verdade. Mas se o espectador não se emocionar com os dramas previsíveis da história, restam as cenas de efeitos criadas pela Industrial Light & Magic. Tem até onda gigante varrendo Nova York e arrancando a cabeça da estátua da Liberdade.

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