Fiambalà, Argentina - Não fique ressabiado se o agente da imigração fizer cara de espanto quando você disser a ele que vai a Catamarca. A província no Noroeste da Argentina, quase na fronteira com o Chile, é um destino turístico pouco conhecido - até mesmo pelos argentinos. Mas isso só valoriza a experiência de visitar a região central da Cordilheira dos Andes, marcada por montanhas coloridas, lagos inesperados e áreas quase desérticas.
É a presença de diferentes pedras e minérios - como prata, enxofre, cobre - que determina a cor das montanhas. Verde, amarelo, cinza, vermelho. Um espetáculo. A vegetação rasteira de palha brava no pé dos morros contrasta com os picos cobertos de neve. Maravilhas só vistas por quem se dispõe a viajar 500 quilômetros ao noroeste da capital da província, San Fernando del Valle de Catamarca, onde está o aeroporto.
No caminho até a Cordilheira, também chamada de região dos Seismiles, o viajante pode constatar que uma das principais atividades econômicas da província é a produção de azeite. As plantações de oliveiras se alternam ao longo da estrada com vales de cactos típicos de uma região árida.
A estrada cheia de curvas que leva a Tinogasta e Fiambalà (a 300 quilômetros da capital) demorou 15 anos para ser aberta - à base de muita dinamite. São três horas só para chegar a Tinogasta, cidade com 14.500 habitantes a 1.200 metros de altitude. Seu nome, que significa reunião de povos, em quíchua, é bem apropriado nos dias atuais: lá turistas de todos os cantos conseguem hospedagem e guias para ajudar a descobrir a região. A tal altitude, os dias são extremamente quentes e as noites, frias.
Contam os nativos que a colonização na área foi um pouco diferente de outras regiões. Com a chegada dos espanhóis, no século 18, os índios tiveram de se alojar a uma distância de mais de 3 quilômetros da capela central. Assim, surgiu primeiro a periferia da cidade e, depois, o centro - o que não impediu a miscigenação, já visível um século depois.
Após descansar da primeira viagem, é hora de seguir para Seismiles, 200 quilômetros à frente. Basta olhar para cima que você descobre a razão do nome: nessa parte da Cordilheira estão montes com picos que ultrapassam 6 mil metros. A primeira parada é Fiambalà, a 1.500 metros do nível do mar. Ali, agentes da Secretaria de Turismo explicam tudo sobre a viagem pelas montanhas.
A descoberta começa numa estrada pavimentada, construída há pouco mais de 15 anos para facilitar a atividade das mineradoras. A atuação das empresas é controversa. Se por um lado os impostos pagos por elas impulsionam a economia, a mineração traz riscos ambientais - não existem, por exemplo, parques nacionais para preservar a beleza natural do Estado.
Chá de coca - A viagem é lenta, até para o turista se aclimatar com a altitude. Apesar do sol, o agasalho é indispensável, pois você vai chegar a 4.100 metros de altitude. O aventureiro passa pelo Valle de Chachuil, com formações vulcânicas da pré-cordilheira. Depois, segue até Valle das Angosturas, onde a água do degelo forma lagos que servem de refúgio para flamingos, lhamas e vicunhas. Logo à frente fica a entrada para a estrada La Coipa, único caminho para o Monte Pissis, o terceiro maior das Américas.
Durante o trajeto, beba muito chá de coca. A erva ajuda a evitar o mal-estar de quem não está acostumado com a altitude. A viagem continua até a barreira alfandegária, a 20 quilômetros da divisa chilena. O posto fica na base das montanhas de San Francisco, com 6.080 metros, e Incahuasi (casa dos incas, na língua indígena), com 6.640 metros.
Trata-se de uma visão fascinante, mesmo para quem não tem a menor intenção de se aventurar em uma escalada. Não há neve, a não ser no topo das montanhas, agora cada vez mais perto. Por volta das 15 horas, em pleno outono, faz 1 grau negativo - a temperatura pode chegar a 30 graus negativos no inverno e, mesmo no verão, os termômetros não ultrapassam zero grau.
A recomendação é não fazer esforços nesse ponto, pois o corpo precisa de pelo menos quatro dias para se acostumar ao ar com pouco oxigênio. Em caso de dores de cabeça, sonolência e outras emergências, há um acampamento com galões de oxigênio e ambulância do lado do posto. É hora de voltar.

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