As correspondências de George Craig Smith (1909-1992), pioneiro e funcionário da Cia. de Terras Norte do Paraná, agora está disponível à comunidade em Londrina. Será lançado no próximo dia 13 de novembro, nas dependências do Museu Histórico de Londrina, um catálogo referente as 334 cartas que o pioneiro George Craig Smith, organizadas de forma apropriada para estudiosos. As cartas foram escritas de 1919 até 1989. Sob os olhos de estudiosos, elas compreendem um acervo de relevância sobre a perspectiva historicista. Aos 20 anos, Smith foi o responsável pela primeira expedição de pioneiros que chegou numa madrugada de primavera em 20 de agosto de 1929 em Londrina.
Parte desse material epistolar foi doado ainda em vida pelo pioneiro. A família repassou a correspondência restante após o falecimento de Smith em 1992. O resultado desse trabalho é creditado à equipe multidisciplinar da Universidade Estadual de Londrina, como projeto de pesquisa. A sinopse histórica leva assinatura de Raimunda de Brito Batista (Departamento de Ciências Sociais); a tradução do inglês por Regina Guarnier Domiciano (Departamento de Letras Estrangeiras Modernas); e o processamento técnico ficou sob os cuidados das bibliotecárias Rosângela Haddad e Ruth Shigaki Ueda. Participaram ainda do projeto alunos dos cursos de Arquivologia, Letras, Ciências Sociais e Biblioteconomia.
Em cada envelope constam originais, cópia de tradução e fotos que acompanhavam as cartas. O pesquisador interessado na correspondência de George Craig Smith terá que consultar primeiramente o catálogo que traz a sinopse de cada uma das 334 cartas. Dependendo do assunto de interesse, os envelopes com as cartas são consultados.
Dos quase 70 anos de correspondências (com algum tempo de interrupção), Smith escrevia preferencialmente para a mãe Jane Craig Smith, e para o engenheiro russo Eugênio Victor Larionoff. O processo de escrever cartas se reflete no cotidiano histórico de uma região. Os homens do século 19 eram eminentemente epistológrafos, como Câmara Cascudo, Gilberto Freire, Mário de Andrade.
As cartas do pioneiro passaram por processamento técnico pela equipe do Museu Histórico de Londrina e foram separadas por categoria, catalogadas, indexadas, higienizadas, condicionadas e armazenadas.
''Pelo teor das cartas, George Smith tinha consciência que fazia história'', constata Raimunda. Literalmente, ele se considerava um herói. O trabalho de desbravador na Cia. de Terras, para ele, era uma questão missionária.
George Craig Smith relatou a vida no epistolário. Pelo longo tempo, quase 70 anos de correspondência, há uma infinidade de assuntos abordados. No período em que passou em Londrina trabalhando na Cia. de Terras (1925 a 1937), ele relatou sobre a abertura das estradas, agenciamento da terra, descreveu os inúmeros imigrantes, a natureza exuberante e o trabalho duro.
Para a mãe, o pioneiro escrevia sobre as festas, comemorações e relacionamento com ingleses. Sob certo ponto de vista, ele cuidou emocionalmente da mãe via correio. Outra característica desse registro epistolar é a postura inglesa do imigrante paulista, sendo extremamente reservado nos relatos pessoais. Na Revolução Constitucionalista de 1932, muitas cartas foram escritas das trincheiras. No final da vida, de 1975 até 1992, ele viveu em Londrina.
As cartas também retratam o amadurecimento com a língua inglesa. Ele misturava muitas vezes os dois idiomas. George Smith estudou na Inglaterra de 1920 a 1924 no colégio Clayesmore School. Esse breve período foram decisivos para sua formação, tanto que nas epístolas sempre se referia à primazia da educação inglesa.
''O contato com a documentação que se tornou história, folhear o registro pessoal de mais de 70 anos foi muito importante. Foi uma experiência prazerosa'', considera Regina Domiciano. Para a professora Raimunda Batista, o destaque nesse trabalho foi a preocupação histórica de ver como essa região se transformou numa localidade no qual o mundo tomou conhecimento.
Rosângela Haddad observa que ainda há material de valor histórico pertencente à Cia. de Terras, na cidade de Jussara (a 124 km a leste de Umuarama). Nesse acervo há fotos, revistas, plantas baixas e registro dos funcionários com fotos.
Serviço: O catálogo com a correspondência de George Craig Smith será lançado no dia 13 de novembro, às 20 horas, no Museu Histórico de Londrina (Rua Benjamin Constant). Preço lançamento: R$ 17,00.

mockup