Catálogo digital com mais de 2 mil obras do pintor será lançado em um mês
São Paulo, 16 (AE) - Está previsto para o mês que vem o lançamento do catálogo digital no qual está inventariada a quase totalidade da produção de Alfredo Volpi. Ele reúne informações detalhadas sobre 2.240 obras do pintor, obtidas graças ao esforço de levantamento e registro iniciado há cerca de três anos pela Sociedade para a Catalogação da Obra de Volpi. Em 1997
os colecionadores que tivessem obras do artista foram convidados a participar do projeto, apresentando seu trabalho para registro e averiguação por uma junta de peritos, que tinha como sede o Museu de Arte Moderna de São Paulo.
As obras que passaram por esse crivo foram incluídas no catálogo, mas restaram algumas dúvidas sobre a autenticidade de alguns trabalhos, que requerem uma investigação mais aprofundada. Segundo Ladi Biezus - que, além de membro da Sociedade, patrocinou o projeto por meio de sua empresa, a Logos Engenharia -, 7 a 8% das obras eram contrafações, o que não é muito, mesmo para padrões internacionais. É importante ressaltar
no entanto, que os colecionadores atenderam a convocação por livre e espontânea vontade, o que pode ter levado os que têm dúvidas sobre a autenticidade de seus trabalhos a recear colocá-los sob inspeção.
Aliás, um dos objetivos da catalogação é exatamente estabelecer claros padrões, retirando os falsos do mercado, como as centenas de gravuras comercializadas como suas, quando se sabe que o pintor jamais se dedicou a essa técnica. A porcentagem de obras sob suspeita é um pouco maior, da ordem de 10%. Nesse capítulo, incluem-se trabalhos supostamente feitos por Volpi depois de 1985, quando já sofria de graves problemas fisiológicos, como pouca coordenação, falhas na visão e uma esclerose avançada. "Faremos uma rodada especial de avaliação depois de estabelecer critérios especiais para esses casos", explica Biezus.
Apesar de ser difícil avaliar quantas obras não foram incluídas nessa primeira etapa de levantamento, Biezus calcula que restam de 750 a 1.000 trabalhos ainda em mãos de quem não quis participar ou não soube do processo de catalogação. Mesmo sendo um dos mais prolíficos artistas brasileiros, tendo pintado durante toda a sua longa vida, a produção de Volpi não se equipara a de artistas mais impulsivos. "Ele não pintava quando baixava o santo, mas sim de maneira calma e suave", lembra Biezus, acrescentando que ele levava várias semanas para concluir um quadro. "Ele era apolíneo e não dionisíaco, apesar da enorme alegria de suas telas", conclui.
No total, serão editados 2.500 exemplares do catálogo, que serão vendidos por cerca de R$ 200. Dessa primeira edição, um lote de 750 CD-ROMs será doado a instituições públicas como museus, fundações, secretarias de cultura, etc. Levando em consideração o enorme esforço consumido para tornar possível esse projeto e que esse valor também financiou o lançamento de um CD-ROM artístico há dois anos, o custo total - de aproximadamente R$ 700 mil - é relativamente baixo.
Contidos num único CD-ROM, as informações do catálogo podem ser consultadas por qualquer pessoa, sem exigir muitos conhecimentos de arte ou informática. Uma cópia de segurança será depositada no Museu de Arte Contemporânea, onde deverá ocorrer a festa de lançamento do catálogo. O fato de ser digital garante à obra uma série de vantagens. Além das informações estarem mais preservadas do desgaste do tempo, o sistema adotado permite cruzar informações variadas como tamanho da obra, o suporte utilizado, se a assinatura está na frente ou atrás da tela ou que tipo de figura o artista usou. O catálogo já está pronto há três meses, mas vem sendo testado por várias pessoas para ver o quão amigável ele é para com os consulentes.
Ainda não será desta vez a grande retrospectiva que os amigos e admiradores que participam da Sociedade de Catalogação, sob a presidência de Domingos Giobbi, planejam realizar para homenagear e divulgar o seu trabalho. "Todas as retrospectivas de Volpi feitas até hoje seguiram ou uma ordem cronológica ou temática, mas falta fazer uma mostra definitiva que leve em conta a evolução da paleta cromática do artista", conclui Biezus. (M.H.)





