Casuarina mostra o samba do futuro
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sexta-feira, 10 de agosto de 2018
Nelson Bortolin 

Em turnê de lançamento do seu novo álbum, o +100, o grupo carioca Casuarina se apresenta pela primeira vez em Londrina neste sábado (11), durante o Samba da Madrugada. O nome do disco é uma referência ao início do segundo centenário do samba, gênero que os quatro jovens abraçaram há 17 anos.
O primeiro século, contado a partir da gravação do primeiro samba, "Por telefone", em 27 de novembro de 1916,foi comemorado durante todo o ano passado.
"A escolha do repertório partiu da ideia central do disco, que é apontar o futuro do samba, depois de comemorarmos os 100 primeiros anos", contou à FOLHA, por telefone, o vocalista e percussionista do grupo, Gabriel Azevedo. Com foco em músicas inéditas, o +100 traz composições de jovens como André da Mata, Raul Dicaprio e Leandro Fregonesi. Mas também de veteranos com Roque Ferreira - autor de sucessos gravados por Zeca Pagodinho - e Wanderley Monteiro - que cedeu vários sambas para Beth Carvalho.
Gabriel diz que o Casuarina "olha para frente" apontando temas que são importantes para o samba, sem deixar para trás o respeito à tradição. "Se estamos aqui é porque aprendemos com os mais antigos o respeito que precisamos ter pela tradição. Samba é resistência."
O nome do grupo é o mesmo da rua onde os músicos ensaiavam, no bairro Humaitá, na zona sul do Rio, bem longe do subúrbio e das escolas de samba mais tradicionais. Os jovens, todos brancos, iniciaram a carreira na Lapa, no centro da cidade, e estão entre os responsáveis pela revitalização do bairro boêmio no início dos anos 2000. "Sofremos preconceito no início da nossa carreira. Mas, depois de 17 anos, 8 discos, o preconceito caiu por terra."
O vocalista diz que toda a "geração da Lapa" sofreu preconceito no início da carreira. "Não viemos de uma escola de samba, mas o samba, muitas vezes, é escolha. Foi o nosso caso."
CONVIDADOS
Além de uma grande variedade de compositores, o novo álbum do Casuarina tem quatro participações especiais: Martinho da Vila, Leci Brandão, Criolo e Geraldo Azevedo. Essa é uma das características do grupo: dividir o palco com outros artistas. Difícil é encontrar alguém no mundo do samba que não tenha cantado com eles. Alcione, Beth Carvalho Almir Guineto, Arlindo Cruz, Diogo Nogueira, Dudu Nobre, Monarco, por exemplo, já foram convidados especiais do Casuarina.
Questionado se ainda falta alguém para cantar com eles, Gabriel diz que "sim, sempre tem". "Seria uma honra muito grande cantar com Chico Buarque. Agora que estamos dividindo a mesma gravadora (a Biscoito Fino) quem sabe um dia a gente realiza esse sonho."
A CRISE
O Casuarina se desenvolveu num período em que o País vivia um bom momento. Além de crescimento econômico, havia expectativas pela Copa do Mundo e, especificamente no Rio de Janeiro, também pelas Olimpíadas. "Foi um tempo que respirávamos ares muito mais leves."
O vocalista afirma que a crise atual interfere no trabalho do grupo. "A Lapa é um espaço de valorização da cultura popular e da música popular brasileira, principalmente o samba. Hoje, além da violência que assola o Rio, temos um prefeito (Marcelo Crivella), que é um bispo da Igreja Universal, e que tem como bandeira lutar contra esse tipo de manifestação cultural, contra as culturas de natureza africana", afirma. A administração municipal, segundo ele, abandonou a Lapa.
MUDANÇA
O +100 é o primeiro álbum do Casuarina depois da saída do ex-vocalista, João Cavalcanti em novembro do ano passado. "Estamos num momento de transição. Esse disco é o pontapé de uma nova fase depois da saída dele. Foi um impacto grande". Por outro lado, a saída do antigo integrante, segundo Gabriel, representa a oportunidade para o grupo "reforçar a identidade de grupo". "Quem fica é porque gosta de fazer parte de um coletivo. Temos o maior respeito por quem quer fazer carreira solo, mas para a gente o legal é estar junto. São 17 anos. É um projeto de vida".
Para a apresentação deste sábado na cidade, Gabriel diz que o grupo preparou um "pouquinho de tudo". "A gente sempre fica feliz quando vai pela primeira vez a uma cidade. A gente já rodou praticamente o mundo inteiro - Europa, Israel, Cuba, Angola, Malásia -, mas não tínhamos ido a Londrina", admira-se.
O Casuarina vai tocar músicas do novo disco, mas também de outros trabalhos. "Estamos preparando um repertório bem extenso para dar uma passeada bonita pela nossa carreira."
Além de Gabriel Azevedo, 39, integram o grupo Daniel Montes, 36 (violão de 7 cordas, coro e arranjos), João Fernando, 38 (bandolim, violão tenor, coro e arranjos) e Rafael Freire 38 (cavaquinho, banjo e coro).
Samba da Madrugada com Casuarina
Quando: Sábado (11), às 21h
Onde: Espaço Elias (Travessa Belo Horizonte, 210)
Quanto: R$ 20 (www.sympla.com.br) e a R$ 40 no local


