São Paulo, 30 (AE) - "Castelo Rá-Tim-Bum - O Filme", primeiro longa-metragem de Cao Hamburger, livre adaptação para o cinema do seriado infantil da TV Cultura, chega às telas com o início do ano 2000, em duas fases. No sábado, primeiro dia do ano, entra em cartaz nas cidades de São Paulo, Curitiba e Brasília. No dia 14, nas principais capitais do restante do Brasil. Segundo a Columbia, co-produtora e distribuidora do filme, serão colocadas 150 cópias em circulação. Um esquema reservado somente aos principais lançamentos comerciais.
Programado inicialmente para o dia 7, Castelo teve o lançamento antecipado. Essa mudança de rumos tem nome. Chama-se Pokémon, o Filme, também uma adaptação. Traz para o cinema o famoso seriado em desenho animado da televisão japonesa. Na última hora, entrou na data estabelecida para a produção brasileira, o dia 7. Hamburger disfarça a preocupação com a concorrência dando a entender que está apenas ansioso. "Nesta época do ano, há muitos outros filmes infantis entrando em cartaz", diz ele. "Além disso, todos são muito diferentes."
Diferenças - Os dois "Castelos", o da televisão e o do cinema, também são muito diferentes. Quem assiste à reprise do seriado, e gosta, vai estranhar muito o filme. Portanto, vale a pena avisar às crianças que elas não vão encontrar na telona o que aparece na telinha. Essa, aliás, segundo Hamburger, é a idéia. "Desde o início, quis fazer algo novo", diz ele. "Quando apresentei o conceito a alguns dos integrantes do elenco, todos ficaram muito entusiasmados."
Do seriado, apenas três personagens foram reintegrados ao filme: a bruxa Morgana (Rosi Campos), o Dr. Victor (Sérgio Mamberti) e Abobrinha (Pascoal da Conceição). Este último, um dos vilões da história, ganhou um assistente, Rato (Matheus Nachtergaele). E há ainda a misteriosa Losângela (Marieta Severo), uma espécie de ovelha negra da família Stradivarius, que reaparece para desestruturar a harmonia do castelo.
Nino, personagem principal, passou por mudanças radicais. Diminuiu de tamanho e ganhou novos amigos: João (Leandro Léo), Cacau (Mayara Constantino) e Ronaldo (Oscar Neto). No lugar de Cássio Scapin, entrou o curitibano Diegho Kozievitch, de 13 anos, escolhido entre 150 candidatos ao papel. Hamburger queria um menino diferente, que acompanhasse o conceito da história, cujo tema é a quebra dos preconceitos e a aceitação das diferenças. "Gostei muito quando fiquei sabendo que ele era de Curitiba e cantava ópera", conta o diretor. "Pensei: Vai ficar aqui em São Paulo uns quatro meses, já se sentindo diferente...."
Achado - Diegho realmente é um achado. Começou carreira aos 7 anos, como integrante do Curumim, um coral infantil da capital paranaense. Em 1994, tomou parte em uma montagem de "La Bohme", no Teatro Guaíra. Dois anos depois, fez o papel principal de "O Menino Maluquinho", no Teatro Fernanda Montenegro. Fez mais de 40 comerciais de televisão, estuda música e é tenor do grupo vocal Nós em Vós.
"Substituir o Cássio Scapin é uma responsabilidade grande", comentou o jovem ator, no dia da primeira exibição do filme aos jornalistas. "Para mim, foi a realização de um sonho." Diegho, no entanto, mostra consciência. "A maioria dos atores curitibanos sonha com São Paulo ou Rio", diz ele. "Eu não quero sair de lá tão cedo, não troco minha terrinha por nada."
O visual também não foi poupado. Hamburger queria um castelo totalmente novo, que não lembrasse em nada o da televisão. A parte externa, com os dois leões-de-chácara encantados, guardando o pórtico, são de uma mansão no bairro do Ipiranga, na zona central de São Paulo. A parte interna, com a grande escadaria e a árvore no centro do atrium, foi totalmente construída em estúdios.
"Queria fugir do que fosse óbvio aos olhos do público"
diz o cineasta. "Quando conversei com o Clóvis (Bueno) e a Vera (Hamburger), pedi a eles que incluíssem no interior do castelo a árvore e a escadaria, pois são os símbolos do crescimento e da ascensão." Toda a concepção visual poderá ser vista na exposição "Universo Mágico do Castelo Rá-Tim-Bum, o Filme, que ficará em cartaz no Sesc Belenzinho, de 15 de janeiro a 1º de maio.
Música - Na parte musical, não foi diferente. André Abujamra, que participou da concepção musical do Castelo Rá-Tim-Bum na televisão, foi chamado para fazer uma trilha sonora completamente inédita. Com apenas dois números musicais, é praticamente toda orquestrada, com temas que falam mais sobre o clima que estão vivendo do que sobre os personagens. A trilha deve ser lançada em CD ainda no primeiro semestre.
"Castelo Rá-Tim-Bum - O Filme" custou aproximadamente R$ 7,5 milhões. A captação foi encerrada pouco antes da desvalorização do real, o que chegou a ameaçar a produção. "Tive de rever o roteiro e redesenhar uma parte da produção", conta Hamburger. "Mas acabou dando certo, não tivemos de fazer mudanças significativas." O dinheiro foi muito bem empregado e está muito evidente na tela. Do cenário aos efeitos especiais, passando pela música. Os efeitos visuais - cerca de seis minutos
ao todo - foram criados nos Estados Unidos e na França.
O trecho mais longo é o inicial, com mais de um minuto, que mostra uma pipa no ar caindo nos jardins do castelo. Sofisticação de indústria.

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