Castello Branco faz estreia em Londrina com afeto, conversa e desaceleração
Em show intimista na AML Cultural, artista carioca emocionou fãs, revelou detalhes do novo álbum e falou sobre o R.Sigma
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domingo, 24 de maio de 2026
Em show intimista na AML Cultural, artista carioca emocionou fãs, revelou detalhes do novo álbum e falou sobre o R.Sigma
Pamela Destacio - Especial para a FOLHA 

O cantor e compositor Castello Branco emocionou o público em sua primeira passagem por Londrina nesta sexta-feira (22). Um dos principais nomes da MPB contemporânea, o artista levou à AML Cultural um show intimista de voz e violão, guiado pela leveza, pela proximidade com a plateia e por momentos de desaceleração.
Distante dos formatos tradicionais, a apresentação teve repertório livre, construído a partir de pedidos do público e da energia criada ao longo da noite. Entre conversas sobre o processo criativo das músicas, histórias pessoais e interações espontâneas com os fãs, Castello Branco transformou o palco em um espaço de respiro e troca afetiva.
Canções como “Evidente”, “Providência”, “Céu da Boca” e “Peso do Meu Coração” foram cantadas pelo público. A noite também contou com participação de talentos londrinenses: o cantor e compositor Gustavo Gama abriu a programação, e o músico João Nakao participou como convidado especial no palco ao lado do artista carioca.
EMOÇÃO DE PÚBLICO
Além dos fãs de Londrina e região, também teve quem viajou de longe para assistir à apresentação. A psicóloga Damares Costa, 33, e o produtor cultural Aly Ladislau, 32, vieram de Campo Grande (MS), a cerca de 600 km, exclusivamente para o show.
Fã do artista há mais de uma década, ela conta que acompanha o trabalho de Castello Branco desde o início da carreira solo, quando “Serviço” foi lançado em 2013, e nunca havia conseguido vê-lo ao vivo. “Quando eu vi o anúncio do show, a gente não pensou duas vezes. Comprou ingresso na hora e veio”, afirmou.

O casal se conheceu em 2014 e, desde então, mantém o hábito de ouvir os discos juntos. Durante o show, a emoção falou mais alto. “Eu fiquei muito emocionada o show inteiro, chorei várias vezes, porque realmente era um sonho. As músicas dele mexem muito comigo, parece até uma conexão espiritual”, compartilhou Costa, citando “Coragem” entre suas canções preferidas.
NOVO ÁLBUM A CAMINHO
A FOLHA conversou com Castello Branco logo após a apresentação, e o artista adiantou detalhes de seu próximo álbum, provisoriamente intitulado “Para Acalmar o Tempo”. O novo trabalho surge a partir de reflexões sobre ansiedade, excesso de estímulos e a dificuldade de desacelerar em meio ao ritmo frenético da vida contemporânea.
“Ansiedade é uma extorsão do tempo – essa é uma das sínteses do disco. Tudo gera muita ansiedade para a gente hoje: tela, política, pós-verdade, incerteza. Então as músicas batem muito nessa tecla de estar presente e tranquilo dentro do seu ser”, conceituou.
O álbum foi gravado ao longo de abril em um estúdio no Maranhão, em um processo de imersão criativa que, segundo o artista, influenciou diretamente as composições. Algumas músicas, inclusive, nasceram durante esse período no estado. O disco também deve incorporar elementos inspirados na sonoridade regional, como o acordeon, além de referências e temas já presentes em trabalhos anteriores, como “Sintoma” (2017).

Com previsão de lançamento para setembro, o álbum terá oito faixas e será lançado de uma só vez. A primeira composição é “Se Bem Me Acho”, que parte de inquietações sobre validação e reconhecimento. O novo projeto também contará com uma participação especial, ainda surpresa.
Durante a entrevista, Castello Branco afirmou que o disco representa um momento mais seguro de sua trajetória artística. “Esse é o meu som, é isso que eu faço. Não quero mais tentar outro som para que as pessoas entendam alguma coisa”, disse.
POSSÍVEL RETORNO DE R.SIGMA
A proximidade com o público durante o show também abriu espaço para questionamentos sobre um possível retorno do R.Sigma, projeto anterior de Castello Branco. Formada em 2004, a banda de rock ficou conhecida no cenário alternativo por músicas como “O Mito do Insubstituível” e marcou o início da carreira do artista.
Recentemente, o grupo voltou aos palcos para dois shows especiais ao lado do Rancore, sendo um em São Paulo e outro no Rio, após um hiato de quase dez anos.
Segundo o cantor, o reencontro surgiu apenas da relação próxima entre as bandas. À FOLHA, ele afirmou que, apesar da expectativa dos fãs por novidades, o reencontro com os antigos colegas tem sido motivado principalmente pelo afeto e pela nostalgia.
“Está sendo mais nostálgico mesmo, de reencontro, de se olhar e se reconhecer de novo”, disse. O artista também destacou a emoção de dividir o palco com amigos de longa data depois de tantos anos afastados. “É chororô, alegria. Uma das coisas mais importantes da vida é estar com as pessoas que a gente ama”, afirmou.
Embora ainda não exista uma retomada definitiva, o cantor revelou que vontade de gravar um novo disco com a banda não falta. Segundo ele, os planos para isso vêm sendo amadurecidos há anos, mesmo durante a fase em que o grupo esteve parado. “Eu quero muito fazer um disco. Já tenho nome, ideias, foto de capa, tenho tudo na cabeça faz tempo”, contou.
O principal obstáculo, brinca o músico, é convencer todos os integrantes a embarcarem novamente na aventura. “Cada um tem uma vida e outros projetos hoje, mas um disco ainda daria para fazer. Nem que seja um disquinho”, disse, em tom descontraído. Por enquanto, porém, tudo segue apenas no campo das possibilidades.


