O prefeito de São José dos Campos, no Vale do Paraíba (SP), Emanuel Fernandes, e a família do poeta Cassiano Ricardo lançaram ontem a pedra fundamental do memorial que será construído na cidade em homenagem ao literato.
Imortalizado pela Academia Brasileira de Letras (ABL) em 1937, o escritor sempre manifestou a vontade em ser sepultado no município. Entretanto, desde a morte dele, em 1974, o corpo encontra-se no mausoléu da academia. A obra, assinada pelo arquiteto Oscar Niemeyer, deverá ser entregue em meados de 2001 e custará cerca de R$ 1,2 milhão.
O memorial faz parte dos planos de governo de Fernandes, que passou a defender a vinda dos despojos do poeta à cidade, desde meados de 1999, quando esteve reunido com membros da família e a direção da Fundação Cultural Cassiano Ricardo. Num primeiro instante, a ABL mostrou-se resistente à idéia, mas mudou de opinião, diante dos insistentes apelos dos filhos e netos do poeta. O terreno que abrigará o prédio tem 7 mil metros quadrados e fica situado na avenida que também leva o nome do literato.
Os detalhes do projeto arquitetônico ainda estão sendo estudados, mas ele terá espaço para um auditório com 450 lugares, um obelisco com 10 metros de altura – que abrigará uma escultura do poeta –, uma biblioteca, espaço para exposições e um bar.
Segundo Regina Célia Ricardo Gianesella, neta do escritor, nascido na cidade em 1894, essa será uma oportunidade única para se recuperar a obra poética. ‘‘É uma homenagem e o primeiro passo para realizar um dos sonhos de meu avô, que era ser enterrado na sua cidade’’, comentou.
Uma primeira tentativa de trasladar os restos do poeta para São José dos Campos ocorreu ainda no ano da morte dele, quando o irmão Aristides Ricardo pediu à prefeitura que intercedesse junto a ABL para efetuar a remoção. Porém, o prefeito da época, Sérgio Sobral de Oliveira, negou-se a atender o pedido da família. O poeta ficou esquecido na cidade por vários anos, mesmo sendo o único imortal do Vale do Paraíba.
O nome do poeta só voltou a aparecer com maior intensidade há um ano, depois que a Petrobras passou a patrocinar coletâneas poéticas, CDs com poemas musicados e palestras sobre o tema. ‘‘Estamos colaborando no resgate da memória cultural da cidade e isto faz parte da filosofia da empresa ’’, explicou o chefe da Comunicação da Refinaria Henrique Lage do Vale do Paraíba (Revap), Gérson Andrade.

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