''Casinha'', a alegria do povo
Antonio Casagrande, 50 anos, dois filhos, pode ser visto durante a maior parte do ano comandando um dos restaurantes do centro de Cascavel, o do Clube Tuiuti, exacerbando sua facilidade de conversar com os fregueses, sobre os mais diversos assuntos. Em fevereiro, porém, ele assume definitivamente a condição de Casinha, o folião, que, segundo sua própria definição, é a alegria do povão na avenida. Há 30 anos pulando Carnaval, Casinha vai para o Calçadão da Avenida Brasil há 10 anos, na maior parte deles com alegorias que apresenta dentro de um carro (motorizado ou puxado por músculos) denominado Gaiola das Loucas.
Depois de se apresentar como Rainha do Bordel, Cinderela, Miss Brasil 2000 e outros personagens que fez desfilar no Carnaval de rua de Cascavel, desta vez Casinha quase teve motivos para decepção completa: seu clube, o Tuiuti, que já chegou a levar quase seiscentos foliões ao desfile de blocos no Calçadão, estará ausente, assim como o grande rival, o Clube Comercial (mil foliões), porque a prefeitura não dispôs de recursos para auxiliar na preparação dos blocos dos clubes - o custo foi estimado em cerca de R$ 15 mil para cada um. Outro bloco, o Unidos de Cascavel, formado pelo povão, não perdeu tempo, e convidou Casinha para o desfile.
Vou ter que ir, porque o povão me espera, e Carnaval sem a Gaiola das Loucas não tem graça, diz. Ele não pretendia revelar previamente a alegoria deste Carnaval, mas acabou contando. A inspiração é um planeta do futuro, com um astronauta com roupas feitas de latinhas de cerveja e outros materiais recicláveis que são mais baratos, e aí eu ajudo a evitar que fiquem jogados pelas ruas. Os materiais recicláveis sempre compõem a maior parte das fantasias de Casinha, geralmente desenhadas e produzidas por ele próprio - desta vez, contou com a ajuda de um artista plástico.Clayton BiaggiO folião Casinha na Gaiola das Loucas: fantasias feitas com material recicladoPaulo Pegoraro





