Dois anos depois do fechamento do único cinema que havia em Cascavel, que virou templo de pentecostais, a cidade volta a ter uma sala de exibições, com a inauguração do luxuoso Cine Central Park, dotado de equipamentos de última geração e com acomodações especiais para o público. O cinema está instalado no edifício do mesmo nome, no centro da cidade, onde há uma galeria de lojas e escritórios.
O Cine Central Park começou a funcionar no final da semana, e o filme de estréia, que fica em cartaz por vários dias é ‘‘O Resgate do Soldado Ryan’’, de Steven Spielberg, lançamento nacional. O projeto foi viabilizado em parceria entre os empreendedores do edifício Central Park, liderados pelo advogado e administrador de empresas Paulo Sciarra, e o empresário Marcos Silva de Araújo.
Sciarra atua em vários ramos de atividade, além do imobiliário, e é permanente incentivador de eventos culturais na cidade. Araújo é dono de uma rede de cinema com cinquenta salas em todo o País - incluindo Londrina e Maringá. O cinema instalado tem 160 poltronas, nas quais há compartimentos para copos e guloseimas. Nos corredores, há faixas sinalizadoras, com luz refletiva, para facilitar a entrada e saída durante as sessões.
A tela tem 9 x 3 metros, o som é estéreo com quatro canais, e os projetores são computadorizados, ‘‘o que há de mais sofisticado no mundo’’, observa Paulo Sciarra. Na entrada, há uma bomboniSre e máquina pipoqueira americana. No período que marca a estréia, as sessões (com ingresso a R$ 3,00) estão sendo realizadas às 14h30 e 20 horas durante a semana, e 14, 17 e 21 horas aos sábados e domingos. Depois, serão três sessões diárias e quatro aos finais de semana.
Paulo Sciarra lembra que em todo o Oeste paranaense não há outro cinema que funcione de forma permanente, exceção a Foz do Iguaçu, onde há uma casa exibidora de filmes. ‘‘Mesmo com a televisão e o videocassete, o cinema é insuperável, em termos de espetáculo’’, observa. Em Cascavel, há um cinecar, e o Centro Cultural Gilberto Mayer recebeu recentemente projetores e telas (e novas poltronas, para 364 pessoas), mas estes estabelecimentos exibem filmes eventualmente.
Há duas décadas, Cascavel tinha dois cinemas, o último o Delfim, com 1,2 mil lugares, cujo prédio foi alugado pela Igreja Universal do Reino de Deus. Paradoxalmente, a cidade é um dos centros de produção cinematográfica do interior brasileiro, feita por grupos locais. Um dos produtores, Talício Sirino, observa que os grupos inicialmente atuavam ‘‘por amor à arte’’, mas hoje são ‘‘extremamente profissionalizados’’.
Atualmente, está sendo filmado o ‘‘Conexão Brasil’’, parceria entre Tigre Produções e TV Tarobá (Bandeirantes) de Cascavel, que tem entre outros atores o próprio Talício Sirino, as ‘‘coelhinhas’’ da Playboy Dulce Neves e Graziela Gomes e o argentino Marcelo Callier. Outros filmes produzidos nos últimos anos foram ‘‘Acerto Final’’, ‘‘Fronteira sem Destino’’, ‘‘A Fuga dos Quarenta’’, ‘‘A Filha do Chefe’’ e ‘‘Chuva de Linguiça’’.

mockup