Cascavel sofistica produções


Cidade transforma-se em pólo cinematográfico e produz seu filme mais ambicioso: €€Conexão Brasil€€ fica pronto em setembro



Marcos PiaiaDulce Neves, Luiz Varini, Wanderlei de Bairro e Marcelo Callier em cena de ‘‘Conexão Brasil’’Produtores cinematográficos de Cascavel, antes apenas aficionados pela arte e que ousaram rodar filmes experimentais, hoje estão confirmando a cidade como um dos pólos de cinema do interior do País. Brevemente, eles levarão às telas aquela que promete ser a mais profissionalizada produção local de todos os tempos, o ‘‘Conexão Brasil’’.
O filme é resultado de parceria entre Tigre Produções e TV Tarobá (Bandeirantes) de Cascavel e outros colaboradores. Trata-se de um 35mm, com 1h30 de duração marcados por muita ação - e também humor - contando a história de um ex-policial que havia matado um criminoso e prendido outro, que, ao conquistar a liberdade, sequestra sua mulher para vingar-se. Bem ao estilo de outros filmes da mesma parceria.
Marcos PiaiaTalício Cirino: roteirista e atorAlém da experiência acumulada por produtores e atores locais, a profissionalização é reforçada pela presença de nomes famosos do cinema nacional. É o caso do diretor Luiz Carlos Lacerda, de ‘‘For All’’, ganhador de cinco Kikitos no Festival de Gramado (RS) no ano passado, e principal premiado no Festival de Cinema de Miami (EUA).
Outro nome conhecido é Cézar Elias (‘‘Navalha na Carne’’), que divide a direção de fotografia com César Pilatti, de Cascavel, de onde é também o roteirista Talício Cirino, que já acumula grande experiência como ator - inclusive deste filme - e produtor. Entre outros atores conhecidos estão as ‘‘coelhinhas’’ da Playboy Dulce Neves e Graziela Gomes e o argentino Marcelo Callier.
‘‘Conexão Brasil’’, que terá custo final de R$ 700 mil e deve estar pronto até setembro, é projeto aprovado pela Lei de Incentivo à Cultura, através do qual empresários podem contribuir financeiramente, descontando de seus débitos com o Imposto de Renda. A Tigre Produções, apoiada diretamente pela TV Tarobá e outros colaboradores, lançou-se porém ao trabalho ainda no ano passado e já chegou quase à metade da produção.
Marcos PiaiaCésar Pilatti e Cézar Elias: diretores de fotografiaPara isso buscaram formas criativas de financiamento, uma delas curiosamente através do próprio cinema. Tigre, TV Tarobá e outros apoiadores trouxeram para Cascavel o filme ‘‘Titanic’’, que está em exibição no Cine-Teatro do Centro Cultural Gilberto Mayer, da Secretaria Municipal de Cultura, e também no Cine Car, da própria Tigre. O saldo líquido da bilheteria permitirá cobrir alguns custos do ‘‘Conexão Brasil’’. A exibição do grande sucesso mundial do cinema, que tem atraído grande público às sessões diárias, marca a inauguração do Cine-Teatro, depois de longo período sem sala de cinema na cidade. O único que havia, o Delfim, teve instalações alugadas pela Igreja Universal do Reino de Deus.
Além disto, foi realizado em Cascavel um campeonato de artes marciais, do qual participaram cerca de quinhentos competidores. Eles pagaram inscrição para o torneio, o que garantiu alguns recursos extras, e em troca cenas das lutas foram gravadas para o ‘‘Conexão Brasil’’. Empresários da cidade também cederam locais (inclusive mansões) para algumas cenas.
A Secretaria de Estado da Cultura também está apoiando, e a secretária Lúcia Camargo já determinou a aquisição de alguns filmes anteriores da produtora, para exibição pela TV Educativa. Também colaboram a Quanta Iluminação (SP) e Funarte (RJ). ‘‘Há um verdadeiro multirão para completar a produção, com qualidade e expectativa de grande receptividade pelo público’’, afirma César Pilatti.
As gravações iniciais foram feitas na região de Cascavel, e outras, nas próximas semanas, serão na fronteira do Paraguai e também em Posadas, capital da província argentina de Misiones. Órgãos oficiais de Cultura daquela província se encarregarão de distribuir o filme (com legendas em espanhol) na Argentina. ‘‘É uma parceria que amplia definitivamente nosso espaço’’, afirma Talício Cirino.
Ao lado de César Pilatti, ele dedica-se quase que diariamente à produção e a resolver problemas que aparecem, enquanto Luiz Carlos Lacerda e outros diretores, que não residem em Cascavel, participam das etapas mais complicadas, mas sempre orientando as equipes. Segundo Lacerda, as cenas ‘‘têm grande realismo, típico de produções locais anteriores, o que demonstra o nível dos atores’’.
História policial tem
ação e humorEntre as principais produções já feitas pela parceria em Cascavel estão ‘‘Acerto Final’’, história sobre um lutador que valeu menção da Confederação Sulamericana de Artes Marciais como melhor filme do gênero no continente, e ‘‘Fronteira sem Destino’’, longa gravado em Cascavel e no Paraguai sobre contrabando, roubo de carros e tráfico de droga.
Também tiveram projeção ‘‘A Fuga dos Quarenta’’ e ‘‘A Filha do Chefe’’ - levado ao Festival de Gramado e ao Festival de Cinema de Curitiba, em 97. A paixão de alguns cascavelenses pela arte cinematográfica leva também à produção de filmes ‘‘por amor’’, sem expectativa de retorno financeiro. É o caso da comédia ‘‘Chuva de Linguiça’’, sobre um caipira que inventa a história de que ‘‘choveu linguiça’’ em seu sítio.
Este filme foi produzido e custeado pelo cinegrafista Acir Kochmanski, ex-funcionário público, e por Sebastião Andoza Ferreira, conhecido como ‘‘Abacate’’, apresentador de programa musical no rádio. As cenas foram rodadas com uma câmera própria de Acir (também o ator principal) e raramente com outra emprestada. Os atores, a maior parte oriunda do teatro, receberam como ‘‘pagamento’’ apenas o prazer de atuar.

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