CASCAVEL REALIZA FILME PARA CD-R0M
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de outubro de 2000
Zeca Corrêa Leite De Curitiba 
Dirigido por Antonio Carlos Ferreira e Cesar Pillati, Um Conto de Natal tem 11 minutos de duração e deve chegar ao público até o final de novembro
A cidade de Cascavel tornou-se referência nacional como pólo cinematográfico. A criação de um curta-metragem, produzido especialmente para CD-Rom, certamente estará quebrando um ineditismo mundial vem aí Um Conto de Natal.
Dirigido por Antonio Carlos Ferreira e Cesar Pillati (este último também autor do roteiro), o filme tem 11 minutos de duração e chegará ao público, no máximo, até o final de novembro. De acordo com o projeto empresas interessadas irão adquirir lotes do produto para doá-los a entidades assistenciais que se encarregarão de vendê-los para levantar recursos.
Com certeza este é o primeiro trabalho feito exclusivamente para esse formato. O filme só vai ser visto em CD-Rom, explica. Todo o processo multimídia foi feito pelo designer Heber Lobo, que o diretor qualifica de um cara genial. Foi ele o responsável por toda parte da criação do multimídia.
Estrelado por Helio Zachi e Francielli Paris, Um Conto de Natal narra o dia-a-dia sufocante de um empresário workaholic. A vida para ele se resume aos negócios e, às vésperas do Natal, ele encontra tempo de viajar a uma cidade pequena para fechar mais um contrato. O coração não aguenta e ele sofre um infarto.
Poderia ser o fim da linha, mas apesar da gravidade da situação, a vida lhe mostra outros caminhos. A aparição de uma mulher nos diversos lugares por onde transita remete o espectador a leituras variadas. Seria essa um anjo? Ou a própria consciência rompendo os estreitos parâmetros em busca de liberdade? Ele acaba descobrindo que a vida vai muito além das maquinações dos negócios, comenta Pillati.
Um Conto de Natal traz embutida uma grande provocação. É um filme que tem que ser visto com olhos de quem quer ver, prega o diretor. Ele começa com a locução de um poema de Natal Coração de Quinquilharias de autoria do jornalista Zeca Corrêa Leite . O texto serve para reforçar a mensagem que está implícita na obra.
Cesar Pillati observa que há uma simbiose entre o poema e o filme. Um preenche o outro, e eu não ousaria mostrá-los separados, um sem o outro. A inclusão do texto na abertura do filme tem a finalidade dar ao espectador quase que uma anestesia, como se fosse uma preparação espiritual.
O professor Moacir Gadotti, da USP, assistiu ao filme em Faxinal do Céu há duas semanas, na única apresentação pública realizada até agora, e escreveu que o Natal representa aos brasileiros a busca do sentido da vida. O que puder ser feito, em qualquer linguagem, para promover uma cultura da paz é sempre válido. O texto do dr. Gadotti acaba sinalizando isso: tudo que puder ser feito para a cultura da paz, é válido, resume o cineasta.
O filme nasceu do imponderável. No dia 22 de dezembro de 1999, Cesar Pillati levou a família para um passeio no ônibus do Papai Noel. Junto das duas filhas e da mulher grávida de seis meses, emocionou-se com as músicas natalinas, o clima reinante ali dentro, as casas enfeitadas lá fora. Comecei a chorar, ele conta.
Nessa noite não conseguiu dormir. Começou então a escrever um roteiro e quando o dia amanheceu estava pronto. Aí saí atrás do filme. Conversei com o Helio Zachi, que é um ator do Rio de Janeiro, acertamos o trabalho e no dia 26 começamos a rodar o filme, porque tínhamos que aproveitar as luzes de Natal.
Pillati imaginava que a produção do curta-metragem iria desdobrar-se no transcorrer do ano seguinte. Somente as cenas natalinas é que seriam feitas na época para aproveitar o cenário natural das festas. Na prática nada disso aconteceu.
Helio Zachi propôs que o filme fosse rodado do começo ao fim, em sessões intensivas, porque ele vivia mudando a aparência. Acabara de perder 18 quilos, que ganhara especialmente para compor o personagem de outra fita, alterava a cor do cabelo, não se detinha numa única imagem. O ideal era dar início, meio e fim ao trabalho para evitar surpresas. Ele achou que era melhor eu me virar, fazer naquela hora senão a coisa poderia não acontecer.
A atriz Agnes Xavier, mulher de Zachi, prontificou-se a defender um dos papéis. Foi um momento de decisão e angústia: tudo ou nada. Optou pela primeira condição e viveu duas semanas de absoluta adrenalina. Em 15 dias o filme estava pronto.
Foi de enorme valia a presença dos técnicos, figurantes e amigos em geral. Tiveram cenas dentro do ônibus que começavam às seis da tarde e iam até às sete e meia da manhã do dia seguinte. Quem estava ali não podia sair, para não comprometer a imagem, lembra o cineasta. Freiras, velhos, crianças: todos deram uma contribuição muito grande.
Além do trabalho extenuante, havia também a imprevisibilidade. Depois de negociar com a Unimed o envio de uma unidade móvel da UTI uma aeronave com pessoal qualificado , que consumiu horas de tensão e incerteza, Pillati soube que tinha quatro horas de solo para rodar as cenas. Pois bem, virou o tempo e caiu um tremendo aguaceiro.
Isso me assustou demais, atrasou os planos. Eu só tinha uma chance de pegar o avião subindo; não podia errar. Mas o rapaz que fez a câmara (Sebastião Porto) é um grande profissional e acertou na mosca. Enfim, a coisa tinha que ser, não havia outro jeito: fizemos uma única tomada. Perfeita.
Os acertos não foram unicamente técnicos e artísticos, com um elenco convincente. O lado financeiro do projeto contou com a ajuda decisiva da Unimed; e teve ainda o reforço da EMI que cedeu a música Sagrado coração, do Renato Russo, para as imagens aéreas de São Paulo, na abertura do filme, de Stephan Bubna que deu todo suporte de produção; de Talício Sirino, também na produção, do compositor Xenon Pinheiro, que assina a trilha sonora.
Se fosse colocar na ponta do lápis no mínimo seriam necessários R$ 30 mil, quantia impossível de ser levantada em poucos dias. Todo mundo se cotizou, renunciou ao dinheiro para que esse trabalho surgisse, principalmente porque ele tem um fim assistencial, diz. Em Cascavel a renda irá para o Lar Esperança.
Coração de Quinquilharias


