Casamento cheio de história
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quarta-feira, 16 de julho de 1997
Cláudia Mattos Agência Estado 
ReproduçãoHá quem diga que casamento é uma instituição tão antiga e cada vez menos usual que merecia ter um espaço reservado nos museus. E está tendo, embora não pelas razões que os opositores do matrimônio imaginam. Nos últimos anos, em busca de saídas para a crise financeira cada vez mais sentida, os museus do Rio têm aberto seus jardins, suas salas nobres e sua história para noivos em busca de locais alternativos para o casamento.
Não é tanto pelo acervo que os museus estão caindo na preferência dos noivos, mas, principalmente, por estarem localizados em prédios históricos, o que garante cerimônias elegantes. Tanto que até mesmo a Fortaleza de Santa Cruz, em Niterói, uma construção de 1555, tem sido procurada.
Em geral, os museus só oferecem possibilidade para o casamento no civil e para a recepção, mas por ter uma capela no interior de seu conjunto arquitetônico, patrimônio histórico nacional, a Fortaleza pode realizar o sonho dos casais apaixonados, com direito a cerimônia civil, religiosa e festa.
Praticamente todos os fins de semana, a Fortaleza abre suas portas para casamentos. O serviço religioso é realizado na Capela de Santa Bárbara, erguida de 1612, enquanto a cerimônia civil e a recepção ocupam o interior do salão de pedras, um antigo depósito de munição para canhões, formado por dois túneis contíguos, com tetos arredondados, que garantem uma acústica excelente.
Obras protegidasEm sua maioria, museus com o do Açude, no Alto da Boa Vista, da Chácara do Céu, em Santa Tereza, e o Histórico Nacional, no Centro, oferecem apenas seus jardins para as festas. Porém, outros como o da República, no Catete, e o Nacional de Belas Artes, no Centro, colocam seus salões também à disposição dos noivos. Tomamos todas as providências para que o acervo não sofra danos, esclareceu Giovana Moriconi, que agenda os casamentos no Museu Nacional de Belas Artes (MNBA).
Segundo ela, os salões mais procurados do MNBA são o Rodrigo de Mello Franco, onde estão obras dos viajantes do século 16, e a ala do barroco italiano. As obras ficam protegidas por cordões e uma equipe de seguranças e de eletricistas ficam de plantão no local, disse. Giovana sustenta que o perfil de quem se casa no MNBA é bem específico. São pessoas que gostam de arte e sabem valorizá-la, afirmou.
Não só de casamentos vive os museus do Açude e o da Chácara do Céu. Além de casamentos, temos uma procura muito grande de empresas que querem organizar jantares especiais nos nossos museus, afirmou Vera de Alencar, diretora dos dois museus. É a maneira que encontramos para ter verba para as reformas e as restaurações necessárias, acrescentou.
Apesar de afirmarem que a verba proveniente de aluguel de suas dependências para casamentos e outras festas são fundamentais para sua sobrevivência, os administradores dos museus não gostam muito de falar do custo que uma destas festas pode significar para seus organizadores. Estudamos caso a caso, afirmou Vera. Depende muito do número de convidados e da natureza da festa.


