São Paulo - Chique no úrtimo - quantas vezes você ouviu a expressão? Era o título original de ''Família Vende Tudo'', a comédia de Alain Fresnot que estreia hoje.
Mas o longa não é uma comédia 'clássica'. O próprio Fresnot define seu filme como uma tragédia romântica que faz rir. Embora uma simplificação do título pudesse ser Família Vende Filha, o 'Tudo' justifica-se porque a família da ficção está abrindo mão da própria dignidade. Lima Duarte e Vera Holtz fazem o casal que, de cara, perde as muambas que foi comprar no Paraguai. Em São Paulo, o desastre completa-se quando a polícia, o 'rapa', também se apropria dos produtos vendidos pelo filho marreteiro.
Neste quadro, e devendo para o chefão da favela, a família investe num projeto audacioso - há esse cantor brega que não resiste a rabo de saia. O plano consiste em fazer com que a filha engravide dele. A pobreza, o kitsch, há um forte componente social, meio Ettore Scola, ''Feios Sujos e Malvados'', em ''Família Vende Tudo''. A religião integra-se ao quadro e, embora o filme se pretenda - e seja - crítico em relação a tudo, Fresnot tem carinho pelos personagens. Caco Ciocler, o cantor brega, só quer, como diz, 'continuar com esse dom que Deus me deu'.
Num elenco que investe com eficiência num certo tom caricatural, Caco e Marisol Ribeiro, a 'filha', são muito bons, mas Luana Piovani, fotografada com desleixo intencional, segura a onda como a esposa 'chifruda' que dá o troco. Chique - no úrtimo.

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