Casal neura
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de abril de 2010
Mariana Trigo<br> TV Press 
Um casamento em conflito e observado com uma irônica lente de aumento é o tema central de ''Separação?!'', que estreia dia 9 (sexta-feira) na Globo. O novo seriado, protagonizado por Débora Bloch e Vladimir Brichta nos papéis de Karin e Agnaldo, mostra o cotidiano de um casal que, após oito anos de casamento, começa a perceber que tudo que enxergava de virtude no outro vira um grande defeito. Daí para as sucessivas brigas, xingamentos e ofensas mútuas é um pulo. É justamente nesse momento delicado da relação que se inicia a produção assinada por Alexandre Machado e Fernanda Young, mesmos roteiristas de ''Os Normais''.
No comando do seriado, com um humor ágil e piadas ferinas, o diretor José Alvarenga Jr. acompanha de perto cada detalhe das tomadas dos episódios. Como o que vai ao ar no dia 16 de abril, quando Karin se desespera com a indiferença de Agnaldo num restaurante. '''Os Normais' era um casal doido que tentava a normalidade. Esse é um casal normal que vai ficando doido. Isso faz uma diferença muito grande no modo de conduzir'', avalia Alvarenga.
Ao longo da temporada do seriado, os personagens vão sutilmente entendendo a gravidade da crise no casamento. ''Leva-se muito tempo para se separar, até chegar ao momento do desprezo na relação. E eles ainda se amam. São ligados pelas raivinhas, pela irritação. Mas são infantis e imaturos, nunca param para conversar sobre o que realmente importa'', analisa Débora. ''Ninguém se separa porque o outro mastiga alto. Eles estão sempre grudados numa casa de três quartos, precisam estar perto. Estão loucos para se abraçar ou cair no tapa. No fundo, os dois gestos querem dizer: eu preciso de você'', filosofa Brichta.
No decorrer dos episódios, a mixagem entre o amor e ódio dos protagonistas influencia e ''contamina'' os demais personagens os ''pombinhos'' Gilda e Delgado (Cláudia Ventura e Marcelo Várzea), amigos íntimos de Karin e Agnaldo, que sonham em ter um filho. ''A implosão do casamento deles vai destruir a relação da Gilda e do Delgado também. Esse programa mostra uma contemporaneidade, uma velocidade explícita nas relações, uma deterioração do moralismo. Isso dá o tom da comédia'', valoriza Alvarenga.


