Casablanca, certamente, pode ser a maior decepção, daquelas capazes de evocar o mau humor pelo resto da viagem. Esqueça o romantismo do filme dirigido por Michael Curtiz, que colocou na história do cinema o Rick interpretado por Humphrey Bogart e a Ilsa de Ingrid Bergman. ''Casablanca'', o filme, não foi rodado em Casablanca, a cidade, mas em Hollywood. Assim, não espere encontrar na capital econômica marroquina, onde estão baseadas 60% das empresas do país, o Ricky's Bar onde refugiados do Eixo, durante a Segunda Guerra, tentavam conseguir um passaporte para a liberdade na América.
Esqueça o charme e a aura de romantismo criados em torno da cidade pelo cinema. Casablanca é como qualquer outra metrópole do terceiro mundo, que foi invadida por europeus em busca de bons negócios. Os habitantes da maior cidade do reino nem mesmo guardam as tradições islâmicas do uso da djellaba (a bata que é vestida tanto por homens quanto por mulheres). Esta cidade de 3,2 milhões de habitantes expõe, por suas dezenas de mesquitas, que o Marrocos é um país muçulmano, mas não fundamentalista, como é o caso do Afeganistão, que confina as mulheres e destrói estátuas de Buda esculpidas há mais de 1.300 anos por considerá-las uma ofensa à religião.
Vale a pena ver, em Casablanca, a Mesquita Hassan II, a segunda maior do mundo, com capacidade para abrigar 20 mil pessoas na suntuosa sala de orações feita inteiramente em mármore e granito. Na esplanada externa, mais de 80 mil pessoas podem ser acomodadas. Ela foi construída por Hassan II, pai do atual rei, e projetada pelo arquiteto francês Michel Pinseau.
Mais de 2,5 mil artesãos de todas as partes do país trabalharam em turnos ininterruptos para que a mesquita fosse inaugurada em agosto de 1993. O templo custou uma fábula e é o único do Marrocos que pode ser visitado por não-muçulmanos. O prédio tem requintes tecnológicos como um teto retrátil e ostenta o mais alto minarete do mundo, com 200 metros.
Por fim, Meknes, cidade de 350 mil habitantes, fundada no século 11, que em 1672 foi escolhida pelo sultão-imperador Moulay Ismail para ser a capital do império. Ali pode-se ver as ruínas de uma fortaleza construída por Ismail para ser a sede de governo. Considerado um tirano sanguinário, ele, que reinou durante 55 anos entre os séculos 17 e 18, é apontado como responsável pela morte de 30 mil pessoas no período. O lugar chegou a ser base de 27 mil dos 150 mil homens que formavam o exército do sultão, um homem de números grandiosos - o seu harém, conta-se hoje, chegou a abrigar 500 mulheres e ele teria sido pai de 342 meninas e 525 meninos.
É impressionante, por exemplo, a área das cocheiras, que tinha capacidade para abrigar 12 mil cavalos. O poderoso Ismail queria fazer de Meknes uma referência no Norte da África, uma cidade francesa do outro lado da Europa. Morreu antes que tivesse conseguido e a capital voltou a ser Fes.

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