Casa Fuji expõe o melhor da fotografia brasileira
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terça-feira, 28 de março de 2000
Por Ricardo de Souza 
São Paulo, 29 (AE) - Comemorando dez anos de atividade, período em que se firmou como centro de referência na área fotográfica, a Casa da Fotografia Fuji vai mostrar durante todo o ano o que de melhor foi feito no Brasil neste século no setor. A idéia é selecionar alguns dos principais profissionais da área e apresentar seus trabalhos divididos em exposições coletivas. A primeira, "Ensaio", será inaugurada amanhã (30), às 19 horas, reunindo imagens de Pierre Verger, Maureen Bisilliat e Mario Cravo Neto.
Não se trata de uma retrospectiva, designação geralmente associada a uma sequência cronológica/histórica. A exposição Ensaio traça um panorama da fotografia contemporânea brasileira, sem amarras ou restrições temáticas. "A intenção é mostrar, em cada modalidade, fotógrafos que marcaram sua geração de alguma forma", explica a curadora Rosely Nakagawa, que faz parte do conselho responsável pela seleção dos fotógrafos e imagens que marcaram o século.
A escolha dos três profissionais que abrem a programação da Casa Fuji em 2000 levou em consideração traços em comum nas propostas de trabalho de cada um. Pierre Verger, Maureen Bisilliat e Mario Cravo Neto, apesar de atuarem em épocas distintas, captaram com suas lentes imagens que remetem às raízes do povo brasileiro e à influência africana, tema mais que atual em tempos de comemoração dos 500 anos do Descobrimento.
As fotografias de Verger abrangem lugares e períodos diferentes, partindo de Paris, em 1902, e chegando a Salvador, em 1996, ano em que morreu. Seu trabalho com a cultura afro-brasileira o levou à áfrica, ao Haiti e à Bahia, onde fixou residência em 1946. Na capital baiana, ficou fascinado com o livro "Jubiabá, de Jorge Amado, de quem se tornou amigo. O interesse pelo culto dos orixás o levou à costa ocidental da áfrica, onde mergulhou no universo do candomblé e iniciou-se nos ritos da religião, tornando-se babalaô, com o nome Fatumbi. Verger publicou dezenas de livros e fez outras tantas exposições sobre o assunto nos anos seguintes.
A ligação do trabalho de Maureen Bisilliat com as origens do povo brasileiro deve-se em grande parte à literatura de Jorge Amado, João Cabral de Mello Neto e Guimarães Rosa. A partir da temática desses autores, focalizou sua obra em assuntos estritamente associados aos seus universos literários, como o sertão e os índios. Atualmente, Maureen é curadora do Pavilhão de Criatividade do Memorial da América Latina.
Parte das imagens de Mario Cravo Neto expostas em "Ensaio foram produzidas em seu estúdio, em Salvador. Sua obra transita entre a poesia visual - construída a partir da mistura de luz e sombra - e o registro do sincretismo religioso baiano. A escultura é também uma constante influência do fotógrafo. A mistura de elementos artísticos rendeu a Cravo Neto importantes prêmios no Brasil e no exterior. "Mario inovou a linguagem fotográfica transportando esse universo para seu estúdio", diz Rosely. "A partir do trabalho desses três profissionais, a fotografia passou a ser vista de outra maneira, além do simples registro documental."
Além da exposição com as melhores imagens do século 20, a Casa da Fotografia Fuji volta este ano a abrir espaço para jovens talentos. A partir de abril, será realizado o Festival de Fotografia, no qual haverá leitura de portfólios com a curadoria de um profissional convidado. Os destaques do festival terão oportunidade de participar do programa que define novos fotógrafos para exposições. Em agosto, será realizada uma retrospectiva - dividida em três mostras - com todos os trabalhos apresentados desde a criação da Casa Fuji, em 1990. Serviço - Ensaio. De segunda a sexta, das 9 às 19 horas; sábado, das 12 às 17 horas. Casa da Fotografia Fuji. Avenida Vereador José Diniz, 3.400, tel. 5091-4055. Até 14/4. Abertura às 19 horas


