Casa do Hip-Hop abre espaço para a cultura de rua13/Mar, 15:26 Por Janaína Rocha São Paulo, 13 (AE) - Se, nos anos 70 e 80, o ponto de encontro da cultura de rua hip-hop era a Rua São Bento e a 24 de Maio, hoje, essa cultura de rua tem, desde julho, um espaço garantido para todas as suas manifestações artísticas, em Diadema: a Casa do Hip-Hop, que funciona no Centro Cultural Canhema (Rua 24 de Maio, 38). Esse local não é o único que está aberto para o hip-hop. Felizmente, essa cultura nascida na periferia tem-se fortalecido como alternativa para inúmeros jovens pobres, que quase não têm opções culturais e profissionais, em todo o Brasil. No entanto, o novo ambiente de Diadema, além de concentrar todas as artes, está promovendo, de forma organizada, o casamento (ideal) entre cultura e cidadania. Lá, o adolescente encontra uma possibilidade de criar, trocar e dar informações e conviver com decência - item que a rua, de onde se originou o hip-hop, não oferece. "O hip-hop faz sentido somente se ele consegue agregar outras coisas importantes, como a noção de respeito, cidadania, reflexão e educação", afirma o pioneiro dançarino de break dance (b.boy) e professor da Casa, Marcelinho Back Spin. "Por estar perto, vemos o progresso, que está na expressão dos olhos, que no início nem olham pra nós e depois são entusiasmados", continua. "Além do trabalho com o lado artístico, estamos preocupados com a informação, seja ela sobre a cultura hip-hop ou questões como a prevenção sexual e o preconceito". O último sábado de fevereiro comprovou esse compromisso em tratar, também, de temas difíceis por meio do hip-hop, no evento "Hip-Hop em Ação", que ocorre no último sábado de cada mês. O significado do papel social e cultural da mulher esteve em questão no debate promovido pela ONG Instituto da Mulher Negra (Geledés). À tarde, foram abertas atividades para as grafiteiras, DJs, rappers e b.girls. "A mulher ainda encontra resistência dentro do hip-hop e isso ajuda a quebrar a barreira", diz a coordenadora Rosana Ribeiro. História - A história do hip-hop em Diadema vem do início dos anos 90. Uma série de oficinas sobre a cultura foram realizadas em 1993 por um grupo de pioneiros da cultura que, como hoje, contavam com o apoio da prefeitura. Estavam nele os b.boys Nelson Triunfo e Marcelinho, que são oficineiros fixos da Casa. Esse fato promoveu a sua contínua expansão. Segundo Rosana, que também participou da fase anterior, a Casa do Hip-Hop traz um novo sentido para a cultura. "A nossa preocupação é com a formação do jovem que frequenta aqui", afirma. "Quando criamos a Casa, dentro do Centro Cultural Canhema, envolvemos os pioneiros na cultura e outras atividades para somar, como as oficinas de percussão". Locais como a Casa são poucos no Brasil. Segundo Rosana, é a única que possui a estrutura completa para abrigar os quatro elementos. Em geral, o hip-hop se organiza em posses (modelo simplificado de ação coletiva), que são semelhantes às ONGs. Elas nascem e sobrevivem dentro das próprias comunidades periféricas. E por serem muito pobres, atuam com poucos recursos, chegando muitos vezes a não ter nem sede. São de extrema importância, pois ali surgem as reflexões sobre a cultura de rua. A Casa tem ainda o apoio da empresa Colorgin, que fornece o spray aos grafiteiros. O hip-hop - que ainda é mais conhecido pelo rap - tem como objetivo ser a voz de uma juventude quase sem perspectivas. A cultura é composta por quatro alicerces: o DJ (pessoa que traz a música para dançar), o MC (a voz que dialoga com os que dançam), o B Boy (dançarino) e o grafiteiro (expressa a ideologia por meio das artes plásticas). Na Casa, todos os elementos estão representados. Marcelinho Back Spin, o veterano Nelson Triunfo e o b.boy Banks Back dão aulas de break dance. Tota e Chorão dão aulas de grafite. DJ Dri ensina discotecagem e neste mês, aulas de técnica vocal, que se destinam ao aprimoramento do rapper, serão dadas por Alexandre Pereira. Pixú, integrante da banda Mafuá, passa seu conhecimento sobre percussão. Além disso, há a importante colaboração de Nino Brown, considerado o arqueólogo da cultura. As atividades de hip-hop ocorrem sempre às terças, quintas e sábados, a partir das 9 horas. As oficinas têm duração de duas horas e o curso de seis meses. A Casa tem cerca de 850 alunos inscritos. E, no sábado, com o "Hip-Hop em Ação", 300 pessoas passam por ela nesse dia. Hip-hop é uma cultura engajada, na qual as pessoas se divertem, se distraem, se conscientizam e se politizam.

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