Casa do Cinema lança pacote com 5 curtas
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quinta-feira, 09 de dezembro de 1999
Por Luiz Carlos Merten 
São Paulo, 09 (AE) - Surgida como uma cooperativa, a Casa do Cinema, de Porto Alegre, ganhou notoriedade nacional e até internacional graças ao talento comprovado de seus integrantes. O mais famoso deles é Jorge Furtado, o diretor de "Ilha das Flores". A Casa de Cinema não é mais uma cooperativa. É uma empresa produtora que reúne seis sócios e hoje luta para criar no Rio Grande do Sul um pólo alternativo à produção do Rio e de São Paulo.
Audácia não lhe falta: você vai ouvir falar muito na Casa de Cinema nos próximos dias. No dia 15, estréia na Globo a minissérie "Luna Caliente", que a Casa de Cinema produziu para a Globo. Também neste mês começa a captação para o primeiro longa de Jorge Furtado, "O Homem Que Copiava". Só isso já bastaria para chamar a atenção para a Casa de Cinema de Porto Alegre. Há mais: um pacote de cinco fitas de vídeo reunindo 21 curtas gaúchos começa a revelar o que de melhor foi produzido no Rio Grande no setor. Nem todos os curtas foram produzidos pela Casa de Cinema, mas todos foram por ela distribuídos.
O primeiro vídeo, que já está chegando às locadoras, reúne cinco curtas sob o título geral de "Histórias da Cidade". O melhor e mais famoso deles é "Ilha das Flores", em que Jorge Furtado olha a miséria porto-alegrense com olhos de vanguardista cinematográfico. "Ilha das Flores" é o curta mais premiado da história do cinema brasileiro. E não foram só prêmios nacionais, como os que o filme recebeu no Festival de Gramado. A consagração foi a mesma em Berlim (Urso de Prata da categoria), Clermont-Ferrand e Havana.
Furtado conseguiu fugir ao estigma de diretor de um só grande pequeno filme. Realizou outros curtas ótimos e inovou a linguagem de TV, ao misturar ficção e jornalismo no quadro "A Vida ao Vivo", exibido no "Fantástico". Também para a Globo ajudou a criar episódios memoráveis de "Comédia da Vida Privada" e das minisséries "Agosto" e "Memorial de Maria Moura".
Por melhor que seja "Ilha das Flores", também são bons os demais curtas dessa primeira fita: "Amor", de Nelson Nadotti, sobre um grupo de hippies que mudam radicalmente de vida, "¶ngelo Anda Sumido", novamente de Furtado, sobre o desencontro de dois amigos na cidade grande, "A Morte no Edifício Império", de Beto Souza, que documenta problemas do patrimônio histórico no Rio Grande do Sul, e "Passageiros", de Glênio Póvoas e Carlos Gerbase, sobre o encontro explosivo de um motorista de táxi e um assaltante.
Por falar em Gerbase: é o diretor de "Tolerância", longa atualmente em fase de montagem, com estréia prevista para o ano que vem (a distribuição será da Columbia) - mais um projeto da Casa de Cinema. Virá depois, em janeiro, "Histórias do País", com mais cinco curtas (dois co-realizados por Furtado: "O Dia em Que Dorival Encarou a Guarda e "Barbosa", mais um terceiro por ele dirigido sozinho, "A Matadeira". E, depois, pela ordem, "Histórias de Amor e Morte" (quatro curtas), "Histórias Reais" (dois médias-metragens) e "Histórias Radicais" (cinco curtas).
Todos distribuídos pela Cult e pela Funarte, que foram parceiras da Casa de Cinema na iniciativa. Mas Ana Luiza Azevedo
uma das diretoras e sócias da Casa de Cinema, anuncia que o projeto não teria sido possível sem a cumplicidade da prefeitura de Porto Alegre, por meio do Funproarte, um fundo municipal que injeta recursos em iniciativas culturais de diversas áreas. A verba do Funproarte possibilitou a telecinagem de todos os curtas, chegando até a finalização das matrizes que resultaram nas fitas distribuídas pela Cult e pela Funarte. Serviço - "Histórias da Cidade". Seleção de cinco curtas com distribuição da Cult e da Funarte. Este mês nas locadoras.Total: 60 min


