Casa de Sérgio Buarque vai ser discoteca da música brasileira
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quinta-feira, 11 de julho de 2002
Jotabê Medeiros<br> Agência Estado 
Tinha um piano ali, aponta Ana Maria de Hollanda, filha do historiador Sérgio Buarque de Hollanda, o celebrado autor de ''Raízes do Brasil''. ''E onde está esse piano?'', indaga a prefeita Marta Suplicy. ''Seria interessante tentar trazer de volta.''
O piano não volta mais, está no Rio de Janeiro, na casa da mãe de Ana, de Miúcha, de Chico, de Álvaro Augusto, de Maria Cristina, de Sérgio, de Maria Carmo - os sete irmãos Hollanda. Mas a sala onde ele ficava e toda a casa que foi dos Buarque, no Pacaembu, em São Paulo, devem permanecer intactas e foram entregues à população da cidade ontem, às 10 horas, em cerimônia na Rua Buri.
A cerimônia, no dia do centenário de nascimento de Sérgio Buarque de Hollanda, teve até bolo de aniversário, com velas formando o número 100 em cima da mesa. A Prefeitura iniciou ali o processo de desapropriação da casa dos Buarque, que vai custar R$ 400 mil, para transformá-la na Discoteca da Música Brasileira, espaço de pesquisa que reunirá o acervo da Discoteca Oneyda Alvarenga - hoje no Centro Cultural São Paulo.
''A casa está do jeito que era, não sofreu nenhuma reforma'', disse Ana de Hollanda. ''Está caindo, mas é a mesma casa'', brincou. Segundo Carmo de Hollanda, outra irmã de Chico Buarque, a família chegou ao Pacaembu em 1957 e viveu 25 anos na residência. ''Em 1983 ou 1984, não me lembro bem, quando papai morreu, mamãe mudou para o Rio e fechou a casa.''
O projeto de desapropriação da casa do Pacaembu é de autoria do vereador Carlos Giannazi (PT), que conseguiu reformar e mudar o nome da praça defronte da casa - agora é Praça Raízes do Brasil.
Giannazi nem sequer foi convidado para a cerimônia de desapropriação. Suspenso do partido no ano passado, Giannazi diz que propôs o projeto por causa de sua aproximação pessoal com o assunto (também é historiador e grande admirador de Hollanda) e também porque via necessidade de se prestar homenagem a um dos maiores intelectuais do País.
''Não fico magoado de não ter sido convidado'', afirmou. ''Fico feliz que atingimos nosso objetivo e que a casa se torne uma referência histórica na cidade.''


