ReproduçãoMazzaropi entre seus filmes: o caipira que deu certoQuando João Roman Júnior soube que a propriedade da PAM Filmes, em Taubaté, seria colocada em leilão à porta fechada, ele nem pestanejou: decidiu que seria sua. A fazenda, afinal, tinha sido de um antigo amigo seu, Amacio Mazzaropi. Até aí, Roman apenas ocupava-se em administrar sua empresa de ônibus naquela cidade. A partir de então, porém, tornou-se gestor de um hotel fazenda e, naturalmente, guardião do que restou da obra do ator, produtor e diretor de cinema caipira.
Hoje, quem cuida do estabelecimento é sua filha, Carmen Ramos Roman, ajudada pelo gerente Jorge Artur Ribeiro. ‘‘A fazenda estava caindo aos pedaços’’, lembra Carmen. ‘‘Meu pai fez grandes obras, mas procurou manter tudo como era na época em que Mazzaropi estava vivo’’. Um ano mais tarde, em 1986 - cinco anos depois da morte do ator -, o Hotel Fazenda Mazzaropi era inaugurado. Atualmente, com 83 quartos, um salão de convenções de 1,4 mil metros quadrados (o antigo estúdio de cinema) e 75 funcionários, o hotel recebe uma média de 15 mil visitantes por ano, que pagam uma diária de R$ 142,80 por pessoa.

ReproduçãoO terreno é de cerca de 150 mil metros quadrados - contra 220 mil na época de Mazzaropi -, e além de manter a casa principal, o estúdio, o lago construído para ser uma locação, a casinha de Jeca (o personagem que imortalizou o ator), também abriga o Museu Mazzaropi, mantido às duras penas por Carmen e Ribeiro. Muitos cantos retratam o dia-a-dia da vida no Interior. Como coadjuvantes da história, por ali circulam também gansos, patos, galinhas, porcos, pavões, vacas e cavalos.
É nesse ambiente que, desde o ano passado, quando Mazzaropi completaria 85 anos, se desenvolve o Projeto Escola. ‘‘Nós pretendemos passar para a criançada quem foi Mazzaropi, sua obra, que é muito importante dentro do cinema brasileiro e o tipo de vida que ele retratava em seus filmes’’, conta Carmen. Periodicamente, durante um dia considerado letivo, alunos do primeiro e segundo graus de escolas da região assistem a filmes de Mazzaropi, alimentam os animais e vão à horta conhecer e cuidar das ervas medicinais, aromáticas ou para temperar comida. ‘‘No fundo, adquirimos um pouco o espírito de Mazzaropi’’, confessa Carmen. ‘‘Como ele, que fazia seus filmes aproveitando tudo o que havia na fazenda, nós gerimos o hotel procurando explorar tudo o que ela nos proporciona.’’

ReproduçãoFazendo caras e bocas, Mazzaropi ganhou o Brasil com tipos que ninguém esquece Caipiras do ParaíbaEm três salas anexas ao salão de convenções do Hotel Fazenda Mazzaropi, em Taubaté, concentra-se o que restou do mundo cinematográfico do ator, que tornou famosos em todo o Brasil os caipiras do Vale do Paraíba. Ao longo dos anos, a família Roman, que adquiriu a propriedade em 1985, vem tentando reunir o acervo de Mazzaropi. No total, naquele espaço há mais de seis mil peças procurando recriar o ambiente registrado em seus filmes.
‘‘Havia muita coisa, mas perdeu-se com o tempo, a partir da morte de Mazzaropi’’, explica Jorge Artur Ribeiro, gerente do hotel e fã dos filmes do ator desde criança. ‘‘A gente tenta contatar as pessoas que fizeram parte do mundo dele. Recebemos muitas doações. Mas de fato, o que tem aqui é muito pouco, comparado com o que ele deixou’’, admite Carmen Ramos Roman, administradora da propriedade.
De fato, o edital do leilão da ex-propriedade de Mazzaropi registra um patrimônio muito maior. Só a lista do equipamento cinematográfico, por exemplo, ocupa mais de 20 linhas. Além disso, Mazzaropi também possuía diversos automóveis, linhas telefônicas e propriedades na Capital. Sem nenhuma ajuda das autoridades locais, é quase comovente verificar como Carmen, Ribeiro e Rosimeire dos Reis, responsável pelo museu, se dedicam àquele espaço. Mesmo precário, ele proporciona, porém, interessante viagem pelo mundo do caipira mais famoso do Brasil. O grupo criou, também, um site sobre Mazzaropi na Internet (www.hotelmazzaropi.com.br).

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