Casa de Cultura transforma memória em arte
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terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Precisando mudar de sede, a Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina (UEL) lançou a reflexão sobre qual o espaço que a arte tem na cidade através do projeto (des)Ocupação. Durante toda a semana passada, foram realizadas várias atividades na sede da rua Mato Grosso, envolvendo um público estimado em mais de 500 pessoas.
A própria Casa de Cultura serviu de inspiração para que artistas locais e convidados fizessem fotografias e fotomontagens, gravuras, desenhos, documentários e paisagens sonoras, entre outras manifestações. Através de maratonas de gravura e de desenho, crianças, pessoas que passavam pela rua, funcionários da Casa e a comunidade em geral também puderam dar a sua contribuição, transformando as paredes do local em um imenso painel. ''As pessoas foram convidadas e provocadas a pensar sobre o significado da Casa de Cultura'', explica a curadora do projeto, Fernanda Magalhães.
Segundo Fernanda, a idéia não era discutir se esse trabalho é arte ou não, mas utilizá-lo como instrumento de conhecimento e transformação das pessoas. ''Não é necessário ser artista e ter conhecimento técnico para poder desenhar. A artista Lygia Eluf convidou as pessoas a expressar o que sentiam através do desenho'', justifica. Dessa forma, complementa Fernanda, foi possível ainda provocar a comunidade sobre qual a importância e influência da arte e da Casa de Cultura em suas vidas.
Convidada a dar a sua colaboração, a zeladora da Casa, Maria Aparecida Bueno, a princípio relutou. ''Disse que não sabia desenhar, mas responderam que não precisava saber'', explica-se, um tanto envergonhada ao mostrar a paisagem de árvore e peixes, com cores primárias e poucos contornos. ''Aprendi que você pode imaginar e criar o desenho a partir do que você sente. Olhando pronto parece fácil, mas não é, não'', revela. Depois dessa experiência, ela achou que podia mais e fez um segundo desenho, na qual círculos se sobrepõem em uma composição esteticamente mais complexa - a arte é transformadora.
A (des)Ocupação significou ainda uma forma de se preservar a história da atual Casa de Cultura através dessas produções. De acordo com a diretora Janete El Haouli, os trabalhos produzidos devem compor diversas mostras, a serem expostas a partir do ano que vem, já nas novas instalações. ''Não sabemos o que vai ser feito deste prédio, mas teremos registrada esta memória através da arte''.


