A Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina (UEL) terá de deixar, até o início de fevereiro, o espaço que ocupa atualmente, no cruzamento da rua Mato Grosso e Avenida Celso Garcia. O imóvel foi solicitado pelo proprietário, Adolfo Mayrink Góes. Segundo a diretora da Casa de Cultura, Janete El Haouli, o contrato vence no dia seis de dezembro mas a universidade conseguiu prorrogar a entrega por um período de 60 dias.
O desafio agora é encontrar um espaço que atenda as necessidades e especificidades da Casa de Cultura, que reúne quatro divisões: Artes Cênicas, Cinema e Vídeo, Música e Artes Plásticas, além da Orquestra Sinfônica (Osuel). ''O espaço precisa ter pelo menos dois mil metros quadrados para comportar os trabalhos da Osuel, duas orquestras de formação, quatro coros, oficinas de música, artes plásticas e teatro, além de exposições, palestras, fóruns, seminários e apresentações'', explica Janete. Além disso, um instrumento musical histórico de 1950 - um órgão de oito toneladas e formado por 900 tubos - que se encontra nas dependências da Casa de Cultura, precisa de um espaço adequado e definitivo para que seja completamente montado e cumpra suas finalidades.
De acordo com a diretora da Casa de Cultura, pelo menos o Centro de Documentação (que guarda sete mil itens, entre livros catálogos, discos, DVDs e filmes) e as oficinas de fotografia, cinema, vídeo e áudio já têm local para funcionar - o 11º andar do Edifício Júlio Fuganti (Área Central), espaço que por mais de 30 anos alocou os Coros da UEL, a Osuel, o Grupo Proteu, as atividades de cinema, artes plásticas, dentre outras ações. ''Foi aprovada uma emenda parlamentar no valor de R$ 300 mil para a reforma do espaço, interditado há um ano devido a problemas nos sistemas elétrico e hidráulico'', afirma Janete. A diretora acrescenta que um imóvel localizado na Alameda Manoel Ribas, onde funcionou as Casas Fuganti, seria o ''local dos sonhos'' para instalar a Casa de Cultura - um espaço central, de 2.790 metros quadrados e três pisos. Contudo, o proprietário aceita apenas a opção de venda (R$ 2,3 milhões) e a UEL não possui recursos em caixa para tal.
Há alguns dias surgiu a possibilidade de um outro espaço para sediar a Casa de Cultura - as antigas instalações do extinto laboratório Equipe, localizado na marginal da Rodovia Celso Garcia Cid, a 800 metros do campus universitário. A UEL recebeu uma verba de quase R$ 11 milhões proveniente do Programa Universidade em Movimento, da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, sendo que R$ 6,1 milhões foram destinados à compra do prédio de 10 mil metros quadrados que, entre outros setores da universidade, deverá abrigar a Casa de Cultura, a Rádio Universidade, a TV UEL e o cursinho pré-vestibular.
Segundo o coordenador de Comunicação Social da UEL, Pedro Livoratti, foi protocolado na Casa Civil um pedido para que esta providencie os procedimentos jurídicos necessários para que a área seja desapropriada e decretada de utilidade pública a fim de que a universidade possa tomar posse oficialmente do imóvel, visto que pertence a uma massa falida. ''A única condição para que a direção da Casa de Cultura mude para este local é a existência de um projeto arquitetônico que atenda as necessidades e especificidades da Casa de Cultura. As áreas de conhecimento artísticas e culturais precisam ser respeitadas'', contesta Janete. Além de ser um espaço inadequado para a instalação do centro cultural, o funcionamento da Casa de Cultura neste imóvel demandaria uma mudança de hábito da população, acostumada a participar da programação na região central. Conforme Livoratti, o reitor da UEL, Wilmar Marçal, assegurou que o prédio passará por uma ampla reforma que atenda às necessidades da Casa de Cultura. Caso o espaço não esteja pronto até fevereiro, a Casa de Cultura funcionará temporiamente em um imóvel alugado. ''Temos a sensibilidade da importância de todos os projetos e manifestações culturais que a Casa de Cultura concentra'', afirma o reitor.
Primeiro setor cultural público organizado em Londrina, segundo maior órgão suplementar da UEL (só perde para o Hospital Universitário), um dos realizadores de dois grandes festivais internacionais - o Festival de Música de Londrina e o Festival Internacional de Teatro (Filo), administrador do Teatro Universitário Ouro Verde, a Casa de Cultura, em 37 anos de existência, nunca teve sede própria. Ao longo dos anos a Casa foi transitando provisoriamente e inadequadamente por alguns espaços, tais como uma sala no antigo Instituto Filadélfia, Edifício Júlio Fuganti, Concha Acústica e, nos últimos seis, na antiga Mayrink Góes.

mockup