São Paulo, 11 (AE) - Os acordes do "Duo Folia", integrado pelos músicos David Chew e Nicolas de Souza Barros, abrem amanhã (12) à noite na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema, Rio, a exposição fotográfica "Memórias de Viagem", do jornalista José Luiz Sombra. O curador do evento, responsável pela seleção de 21 fotos expostas, é ninguém menos que o premiado fotógrafo Walter Firmo.
As fotos - selecionadas entre centenas - dividem-se em três fases: fotojornalismo, formas/geometrismo e formas/cores. Trata-se da primeira exposição do jornalista que iniciou sua carreira em 1969, no extinto jornal "Correio da Manhã", no Rio
passou pelas revistas da empresa Bloch e pelo jornal "O Globo" - onde fez uma série de reportagens sobre o apartheid na áfrica do Sul. Curiosamente, durante toda essa trajetória profissional, Sombra sempre foi autor de textos, nunca de fotos.
Mas seu trabalho fotográfico não foge da influência do dia-a-dia das redações. Realizadas à guisa de hobby - em sua grande maioria captadas em viagens de férias por diversos países -, as fotos mesclam a precisão do clic certeiro do profissional da imprensa com o olhar atento e curioso do turista
mais preocupado com a beleza das formas do que com o registro dos fatos. É o caso da foto realizada em Marrakesh, no Marrocos, que ganhou o nome de "Desencontro" na exposição.
"O muro de cor terra, muito bonito, chamou-me a atenção e, de repente, eu percebi o que tinha diante de mim", conta Sombra. "A mulher andando para um lado, o burro para o outro, dois objetos de cores semelhantes, ambos em amarelo e vermelho, uma imagem muito bonita", diz. "Comecei a fotografar viajando em férias, mas claro que minhas primeiras influências vieram mesmo dos fotógrafos de redação", admite Sombra. "Partíamos juntos para uma reportagem, eu apurava e escrevia, mas curtia o resultado do trabalho do fotógrafo". Entre eles, claro, Walter Firmo, que conheceu na redação das empresas Bloch na década de 70.
Passou a comprar livros de fotografias e apaixonou-se pelo trabalho de David Hamilton. "Ele fotografa ninfetas e desfoca as imagens conseguindo efeitos dos quais eu gosto muito". Decidiu, então, fazer um curso de fotografia e, a partir do fim dos anos 70, não parou mais de fotografar. Sempre em viagens de férias, registrando culturas, hábitos e biotipos de diferentes povos. "No início estava muito influenciado pelo fotojornalismo", afirma. Aos poucos, o olhar foi descobrindo a beleza das formas geométricas.
A partir do início dos anos 90 começou o focar o olhar sobre a beleza da imagem surgida a partir da oposição de formas como a verticalidade de um prédio em contraste com uma abaulada lata de lixo. E, mais recentemente, começou a desfocar objetos, diluir cores, estender formas, sem chegar, contudo, à total abstração. "É sempre possível identificar o objeto real", diz. "Estou curtindo muito essa fase". A exposição, patrocinada pelo Hospital Samaritano, permanece na Casa de Cultura Laura Alvim até o dia 07.

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