Os mandões da política, como se sabe, são fontes inesgotáveis de anedotário desairoso. No Brasil, os cartunistas parecem ostentar a primazia na demolição dos poderosos, flagrando seus deslizes com raro talento e crueldade. Um deles, o gaúcho Santiago, 48 anos, está lançando um livro com o material publicado em vários jornais e revistas do País.
Batizado ‘‘FHC: Quem Te Viu, Quem Te V꒒ (L&PM), o volume traz 80 páginas de humor político, onde o ex-príncipe da sociologia e atual Presidente da República sai impiedosamente chamuscado das tiras. A comparação entre o passado e o presente de Fernando Henrique Cardoso vira motivo de piada numa das primeiras páginas, na qual ele aparece descendo de uma ‘‘máquina do tempo’’ em meio a uma passeata nos anos 70.
‘‘Prendam aquele comunista agitador!’’, brada ele a seu assessor, ao passo que este responde: ‘‘Não dá, presidente, aquele ali é o senhor!’’ Santiago, convém dizer, não arranca risos o tempo todo. Perde a graça ao repetir assuntos à exaustão sem manter a verve original, armadilha da qual poucos escapam em seu metiê.
Desigual, a compilação trata de temas como a vaidade presidencial, o desemprego, as privatizações, a reeleição, o descompromisso com a saúde, o socorro aos bancos privados, a questão das aposentadorias e a moeda desvalorizada. Santiago, pseudônimo de Neltair Rebés Abreu, nascido na cidade gaúcha que lhe inspirou o apelido, destacou-se já na década de 70 abocanhando prêmios aqui e ali.
Em 1990 conquistou o Yomiuri Shimbum, no Japão, um dos prêmios internacionais mais importantes na área do humor e da imprensa. Foi premiado também na Turquia, Canadá, Bulgária e Alemanha. Em 1998 ganhou o prêmio HQ MIX em São Paulo pelo melhor álbum de humor do ano - ‘‘De Papo pro Ar’’, também lançado pela L&PM. O troféu é o único realizado no País voltado exclusivamente a identificar o melhor da produção nacional de cartum e histórias em quadrinhos.
Em livro, o trabalho do autor pode ser conferido em uma dezena de álbuns, entre os quais ‘‘Humor Macanudo’’ (1976), ‘‘Milongas do Macanudo Taurino’’ (1976), ‘‘Povaréu’’ (1994), ‘‘Ninguém é de Ferro’’ (1993) e ‘‘O Melhor do Macanudo Taurino’’ (1997). O lançamento está à venda por R$ 10,00.

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