Cartunista no confessionário
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Elas servem a dois senhores. Seja para o bem ou para o mal, ninguém escapa das situações críticas. Graças a Deus, diria o mais cético dos cartunistas, já que é em cima das mancadas dos outros que o humor, muitas vezes, acontece.
Que o diga Ronaldo, com a sua fenomenal pulada de cerca direto no colo de um trio maravilha de travestis, decisão que o tornou motivo de piada no mundo inteiro.
O fato, para cartunistas como Marco Jacobsen, que publica diariamente os seus desenhos na Folha, é ideal para deitar e rolar - no bom sentido -com o Fenômeno rebocado de pancake num motelzinho de quinta.
A falha nossa de cada dia, nesse caso, garante livros, como ''Confesso'' (144 páginas, R$ 30), que Jacobsen lança hoje, às 19h30, na Livraria Pôrto, no Shopping Catuaí, em Londrina. O livro foi lançado em Curitiba e São Paulo no final de 2007.
Amanhã, às 20 horas, Jacobsen participa de uma palestra com os cartunistas Ademir Paixão e Pryscila Vieira, na programação do Desing.exe, evento anual do Curso de Desenho Industrial da Universidade Norte do Paraná (Unopar). Na oportunidade, Jacobsen realizará uma sessão de autógrafos.
A começar pelo título, o livro independente, que traz o selo da Cartunália, um grupo de cartunistas curitibanos, é uma espécie de confissão gráfica do autor. Em outubro, o grupo pretende lançar uma coletânea com desenhistas de Curitiba.
Ao entrar nesse confessionário, Jacobsen vai contando em desenhos tudinho o que pensa sobre os mais diferentes temas de comportamento e sociais.
O livro reúne os trabalhos mais marcantes nos 20 anos de carreira do cortunista. Setenta por cento do material é inédito e o restante escolhido a dedo entre os que foram publicados, desde 1987, inclusive na FOLHA, veículo que há quatro anos é um mural das suas idéias.
Santista adotado por Curitiba, Jacobsen começou no Nicolau, jornal cultural do governo do Estado, encartado em outros periódicos.
A cidade não influencia o seu trabalho, mas ele reconhece que os curitibanos e os ingleses têm um humor refinado. Aos que desdenham dessa qualidade, Jacobsen lembra que os súditos da rainha Elizabeth são considerados os maiores humoristas do mundo.
Sem essa de que uma imagem vale por mil palavras. O traço de Jacobsen não comporta egocentrismo, abrindo espaço para o texto.
''As imagens são abertas para diversas interpretações, que dependem do conhecimento cultural de cada pessoa. Muitos não conseguem compreender o que vêem ou o que é dito através de uma imagem. Quando isso não acontece, fica para a próxima'', afirma Jacobsen.
A vida de cartunista não é fácil. É preciso acordar cedo, ler os jornais, as notícias na internet e daí tentar arrumar algum assunto que renda um bom desenho.
As situações críticas, as saias justas, as gafes, enfim, qualquer deslize dos outros, é o melhor amigo do cartunista.
''Eu vejo o humor como um ponto crítico de algumas situações tanto para o bem como o mal. São falhas de conduta e comportamento que podem se transformar em desenhos'', comenta Jacobsen.
É assim que Ronaldo e tantos outros acabam colaborando com o dia-a-dia de cartunistas como Jacobsen. Na verdade, eles não vivem das mazelas e fraquezas alheias, mas, já que elas existem, que pelo menos a gente possa rir delas.
SERVIÇO
- 'Confesso'
Quando - Hoje, às 19h30
Onde - Livraria Pôrto, Shopping Catuaí
Quanto - R$ 30


