Cartunista Fausto lança "Sem Perder a Linha"
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de setembro de 1999
Por Jotabê Medeiros 
São Paulo, 05 (AE)- Veterano cartunista e ilustrador da imprensa brasileira, Fausto Bergocce, o Fausto, de 47 anos, tem um problema sério: é mortalmente tímido e modesto. Só isso explica (e é assim mesmo que ele explica) que jamais tenha publicado um livro com seu trabalho em 25 anos de ilustração na imprensa brasileira. Na semana passada, Fausto rompeu com sua timidez e foi a campo, lançando o livro "Sem Perder a Linha", no espaço de convivência do Sesc Pompéia.
O livro, que não está nas livrarias, pode ser encomendado pela Internet (www.chargeonline.com.br). Desde que publicou seu primeiro desenho, em 1972, no "Diário de Guarulhos", Fausto percorreu um longo caminho. Em 1976, estava na "Última Hora", no qual fazia cartuns ao lado de um vizinho ilustre, Henfil, que na época escrevia as célebres "Cartas ao Primo Figueiredo". Em 1979, passou para a "Folha de S.Paulo".
O trabalho de Fausto Bergocce é de um ecletismo à toda prova: faz cartum, colagens, ilustrações, vinhetas, desenhos, tiras de quadrinhos. Personalidades da política, da arte, da economia: ninguém escapou de seu traço. O livro "Sem Perder a Linha" divide as personalidades desenhadas por Fausto em categorias. Remonta 20 anos de trabalho, de 1978 a 1998. É recheado também com ilustrações inéditas, fruto do trabalho mais recente do desenhista.
No início, a influência do pessoal do "Pasquim" é visível. "O cara que primeiro fez minha cabeça foi o Henfil", ele conta. "Mas depois, passei a comprar o "Pasquim" e preferi o Jaguar - o Henfil talvez fosse muito revolucionário para mim ainda", confessa. Apesar de pertencer a uma geração pródiga em artistas da imprensa, Fausto desenvolveu um estilo bem pessoal, que sobreviveu inclusive aos modismos e aos anos. Continua exercendo seu trabalho, atualmente no jornal "Diário Popular".
Vindo de Reginópolis (cidade de cerca de 5 mil habitantes perto de Bauru), Fausto teve que se virar em jornais numa época em que a mão de obra era escassa. "Era só eu ilustrando na redação", lembra. "Então, é por isso que acabei me tornando tão eclético: na marra". Com seu traço, ganhou um Prêmio Abraciclo de Jornalismo. "Sem Perder a Linha" foi editado por Massao Ohno Editores, tem prefácio de Jaguar e apresentação de Lourenço Diaféria, além de textos de colegas como Lor e Laerte.
"Ocorre que o ilustrador de jornal ou revista é em geral meio desligado", diz Lourenço Diaféria. "Dá-se por feliz
recompensado e reconhecido quando seu traço ornamenta o pensamento escrito de um figurão ou figurinha e deixa tudo por isso mesmo". Fausto se dispôs a fazer seu livro para não esquecer sua própria história - que é, de certa forma, também a nossa. Boa iniciativa, principalmente de um sujeito "que não gosta de aparecer".


