Cartografias humanas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de março de 2001
Celso Mattos De Londrina 
Para quem acha que toda a história de amor já foi contada no cinema poderá mudar de opinião depois de assistir a Uma Relação Pornográfica, que acaba de chegar às locadoras. Essa produção francesa/belga/suíça, dirigida por Frédéric Fonteyne, que recebeu o prêmio de melhor atriz para Nathalie Baye no Seatle Internationl Film Festival/2000 e no Festival de Veneza/1999, revela um extremo respeito ao espectador, pela sutileza com que trata a vulnerabilidade e os sentimentos dos personagens.
O filme cativa porque, além de inteligente, respeita a fragilidade dos personagens como se fosse do público. O resultado obtido pelo diretor é bastante original. São encontros, papos-cabeça e pequenos toques entre um homem e uma mulher, que assumem um relacionamento sem ponto de partida e nem de chegada. Uma mulher (Nathalie Baye) e um homem (Sergi Lopez) se encontram porque ela tinha uma fantasia sexual e colocou um anúncio em uma revista a procura de um parceiro para realizá-la.
Ele tinha a mesma fantasia e resolve responder o anúncio. Os dois acabam marcando um encontro em um café parisiense. E depois vão para um hotel. A porta do quarto se fecha para o telespectador que apenas imagina o que acontece lá dentro. Esse é o grante barato do filme: não mostra nada. Deixa tudo na subjetividade. Portanto, quem alugar a fita apenas pelo título, vai ficar muito frustrado.
Uma Relação Pornográfica é uma obra essencialmente humana, contada a partir de depoimentos dos próprios protagonistas. Inicialmente, eles se encontram apenas para fazer sexo. Um relacionamento sem cobranças, ciúmes e compromisso, mas com o tempo eles se descobrem apaixonados. É quando resolvem colocar um fim na relação que termina como começou: sem lágrimas e dor, deixando apenas boas lembranças de belas tardes num quarto de hotel. Uma fita sensível e humana. Lançamento da Paris. Duração: 80 minutos.
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