Cartilha de infâmias
ReproduçãoMarilyn Manson: líder da banda homônima faz o diabo para chocar o públicoCartilha deinfâmias
Banda norte-americana traz visual carregado, letras repulsivas e rock pesado
Nelson Sato
Provocações e heresias. Ferocidade metal, zoeira industrial, migalhas techno e letras repulsivas que atacam o pai, o filho e qualquer espírito - santo ou não - que estiver pela frente.
Não há tempo para discriminar / Odeie todo f.d.p que cruzar o seu caminho - prega a faixa The Beautiful People, uma das mais pesadas e que foi escolhida para ser o primeiro single do álbum Antichrist Superstar (Universal), terceiro da banda norte-americana Marilyn Manson e que acaba de chegar ao Brasil.
Marilyn Manson é o nome artístico do vocalista Brian Warner e também da banda. O rapaz, que nos últimos dois meses saiu em tudo quanto é capa de revista americana, faz o diabo para chocar o público. A começar pelo nome, que combina Marilyn Monroe com Charles Manson (fanático religioso que ficou famoso nos anos 60 ao liderar uma chacina na casa da atriz atriz Sharon Tate).
Fascismo Montado o teatrinho de horrores, que inclui visual andrógino carregado de maquiagens, tattoos e cicatrizes de auto-flagelação, a banda convocou o não menos esquisito Trent Reznor (líder da banda Nine Inch Nails) para produzir o novo trabalho. O resultado soa afinado com o que há de mais inovador na vertente metal.
Os vocais do frontman se sobressaem alternando sussurros, agudos inusitados e berros devastadores. Já na abertura do disco, as quatro pimeiras faixas - as melhores, aliás - disparam guitarras corrosivas capazes de conquistar até os que se contorcem ao ouvir acenos ao fascismo e outras asneiras brandidas nas letras.
Não dá para levar a sério a cartilha de infâmias de Manson. Mas não dá também para deixar de girar o botão do volume para a direita.





