CARTAS DE UM POETA
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de junho de 2001
Zeca Corrêa Leite De Curitiba 
Depois dos aplausos no último Festival de Cinema e Vídeo de Curitiba, chegou a hora do filme O Poeta, de Paulo Munhoz, ser lançado oficialmente ao público curitibano. A sessão inaugural acontece hoje, às 20 horas, na Cinemateca. Entrada franca.
O curta-metragem de animação, rodado em 35 mm, foi duas vezes premiado no festival: levou o Prêmio Especial do Júri por criatividade e tecnologia e o Troféu Pinhão pela trilha sonora, composta pelo jovem músico Vadeco e interpretada pela banda Vadeco e Os Astronautas.
O enredo parte de uma indagação: o que acontece no momento em que um poeta escreve uma carta? Que sensibilidade é essa a aflorar na alma no exato instante em que a pessoa desarma-se para se entregar por inteiro à outra, distante dali? Para o autor do roteiro e diretor, Paulo Munhoz, esse período de tempo é singular.
É diferente o lado poeta de qualquer pessoa, seja ela quem for, escrevendo uma carta, e o seu lado comum escrevendo uma carta, comenta. Para ele o dom da poesia é universal todo mundo, em algum momento, tem esse lado; alguns têm a coragem de mantê-lo, outros não e sendo assim o personagem central do filme representa a humanidade. Gostaria que cada um se visse ali, escrevendo sua carta, confessa.
Para narrar esse episódio no filme de dez minutos, o cineasta valeu-se de recursos modernos como animação em 3D e em 2D. Ele explica que do ponto de vista estético O Poeta foi concebido como uma projeção bidimensional de um holograma formado pelo universo da cidade, do quarto e do pensamento do poeta.
Minha vida está perfeita, nunca estive tão feliz, comemora o autor da trilha sonora. Músico talentoso de 22 anos, Vadeco diz que tinha vontade de colocar música sua num filme. Quando conheci o Paulo, numa situação altamente sincronizada, pintou a oportunidade. Passei a música para ele. Logo veio a premiação que eu não esperava, mesmo porque sou estreante nessa área e deu tudo certo, conta.
Vadeco fala das emoções do músico, que são muitas, mas a experiência de estar num cinema, ter à frente uma tela gigantesca, imagens muito bem feitas com a sua música tocando é de arrepiar legal. Para ele, só tem uma explicação tudo que aconteceu (e está acontecendo com os vários convites e propostas de gente de teatro, cinema, TV foi obra de Deus.
O músico não se deixa levar pelo entusiasmo. Esclarece que o principal de tudo que está vivendo neste momento não são as propostas, os convites mas o respeito que conquistei e que é fruto do meu trabalho.
Ontem O Poeta foi exibido em São Luiz (Maranhão) no Festival Guarnicê de Cine e Vídeo, respeitado nacionalmente. Um tento a mais para a carreira do filme. Mas, a última grande alegria, de acordo com Paulo Munhoz, foi o trabalho ter sido escolhido para concorrer em julho no Festival Internacional Animamundi. É um dos principais festivais de animação do mundo, que será realizado no Rio de Janeiro e em São Paulo. O Poeta estará nas duas capitais. Ser selecionado, para nós, já é uma espécie de prêmio, finaliza, todo feliz.
O Poeta, lançamento do curta-metragem de Paulo Munhoz. Um poeta escreve carta: a partir daí desenvolve o filme de dez minutos de duração. Premiado no Festival de Cinema e Vídeo de Curitiba (prêmio especial do júri e pela trilha sonora), poderá ser visto a partir das 20 horas na Cinemateca de Curitiba (Rua Carlos Cavalcanti, 1174, fone 322-1525, ramal 2245). Entrada franca.


