Carta branca para cair na gandaia
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quinta-feira, 10 de março de 2011
Carlos Messias <br> Folhapress 
São Paulo - Estreia hoje ''Passe Livre'', a mais nova comédia dirigida pelos irmãos Bobby e Peter Farrelly. O longa-metragem representa uma retomada dos cineastas ao melhor do seu humor politicamente incorreto, repleto de boas sacadas, com motes corriqueiros, personagens de carne e osso e desfechos comoventes.
''Passe Livre'' está no mesmo nível de filmes como ''Ligado em Você'' (2003), ''O Amor É Cego'' (2001) e ''Quem Vai Ficar com Mary?'' (1998), as três melhores produções realizadas pela dupla até então.
Agora, o tema é a vida de casado. Os amigos Rick (Owen Wilson) e Fred (Jason Suedeikis) conquistam aquilo que é o sonho de 11 entre cada dez homens que estão comprometidos há muito tempo: uma semana para fazer o que quiser, sem dever explicações a ninguém, muito menos às mulheres deles -vividas pelas atrizes Jenna Fischer e Christina Applegate, respectivamente.
Elas mandam
''O que a maioria dos homens não imagina é que muitas mulheres também gostariam de receber passe livre'', aponta Jason Suedeikis.
De fato, o filme mostra que as respectivas não ficam exatamente sozinhas, esperando pelos seus maridos, e, dependendo do ponto de vista, dão um baile nos homens.
''No final das contas, quem manda são sempre as mulheres, desde que o mundo existe'', reconhece o ator e comediante, que veio da mesma ''escola'' de humor que formou nomes como Eddie Murphy, Mike Myers e Will Farrell, entre outros.
Como nos principais filmes dos irmãos Farrelly, ''Passe Livre'' tem um fundo dramático, o que aumenta a credibilidade da história. Os irmãos mostram, com um realismo marcante, que a vida de solteiro não é exatamente um mar de rosas, como algumas pessoas podem imaginar.
''Eu não tomo tanta porrada (literalmente) na vida real'', brinca Suedeikis. ''A busca por companhia tende a ser bem mais solitária do que as pessoas comprometidas normalmente imaginam que é'', conclui o ator.
E, enquanto os dois amigos saem em busca por ''companhia'', o espectador pode esperar por situações inimagináveis de tão cômicas, bizarras e até escatológicas. Há uma passagem do filme em que o personagem de Suedeikis está tentando levar uma garota bêbada para a cama, só que, em vez de vomitar, o que era aguardado, a moça tem a reação mais grotesca e ''anticlima'' que qualquer homem que se considera pegador possa imaginar.
''(Risos) Eu não faço ideia de como os Farrelly criam situações assim, você teria de perguntar a eles'', desbaratina Suedeikis. ''Eles são os culpados. Eles olham o mundo por uma perspectiva própria e conseguem imaginar situações engraçadas onde a maioria das pessoas não conseguiria.''
Balde de água fria
No final, o longa-metragem joga um balde de água fria nas fantasias masculinas. ''O filme traz uma visão feminina sobre as fantasias masculinas. Acaba valorizando o amor, o casamento e corta pela raiz o ponto de vista juvenil que os homens têm sobre esses assuntos'', avalia o ator.


