Quem quiser conhecer o verdadeiro Andy Kauffman pode sintonizar a tevê por assinatura num desses canais que exibem séries, velhas e novas, e procurar o personagem Latka Gravas na comédia de costumes ‘‘Taxi’’. É ele, o próprio comediante, agora levado ao cinema pelo diretor Milos Forman, o tcheco-americano de ‘‘Um Estranho no Ninho’’, ‘‘Amadeus’’ e ‘‘O Povo Contra Larry Flint’’, filme que ganhou o Festival de Berlim em 96, o mesmo festival que agora preferiu ‘‘Magnólia’’ a ‘‘O Mundo de Andy’’, título brasileiro para ‘‘Man on the Moon’’ - o título original é por causa da música que o grupo R.E.M. compôs para Kauffman.
Andy Kauffman, jovem e idiossincrático comediante, provocou sempre reações antagônicas. Ou se gostava de seu jeito amável ou se odiava seu estilo muitas vezes provocador. Forman sempre se sentiu atraído por essa dualidade do personagem, sem entender muito bem o porquê. ‘‘Só sei que ele era patético’’, diz o diretor. ‘‘Ele não era realmente um comediante do povo. Era um comediante dos comediantes. E que tipo de gênio atrai este tipo de adoração? O mais próximo que consigo chegar de uma explicação é que todo artista do entretenimento sofre do medo de fracassar. E Andy venceu o medo do fracasso incluindo-o em suas apresentações. Então, não importava se era aplaudido ou vaiado. O que quer que você lhe desse, vaias ou aplausos, significava que ele era um sucesso. Escrachado, ultrajante, iconoclasta, auto-referente, Kauffman morreu aos 35 anos, de um tipo raro de câncer.
No papel de Andy Kauffman - elogiadíssimo - está Jim Carrey, que acabou ganhando um Globo de Ouro sem chegar a ser indicado para o Oscar, e Danny DeVito. Também comparece no elenco a viúva roqueira Courtney Love, que Forman já havia testado em ‘‘O Povo Contra Larry Flint’’. (C.E.L.J.)

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