Salvador - A Bahia é a terra da alegria, certo? Então, é normal que, ainda a meses do carnaval, os ensaios de muitos blocos já tenham começado e estejam arrastando centenas de pessoas em quase todos os dias da semana. Obrigatório para quem está no Pelourinho, terça-feira é o dia dos ensaios do Olodum, que ocorrem o ano todo e estão sempre cheios de gente empolgadíssima.
São nativos muitos deles negros, que além de corpos sarados e toda a ginga baiana, exibem, orgulhosos, algum detalhe afro, principalmente nos cortes de cabelo , turistas brasileiros e gringos de vários cantos do mundo. Todos dançam e seguem passos juntos, contagiados pela batucada do Olodum. É como diz uma música do grupo: ''Pelourinho se transforma em carnaval/ Nesse momento, alegria é geral''.
A Didá, que, grosso modo, é a versão feminina do Olodum, começou seus ensaios em julho. Além da banda de percussão parte de maior visibilidade dessa associação cultural sem fins lucrativos , a Didá tem cursos e projetos educacionais cujo objetivo é educar mulheres e crianças pela arte. ''O tambor trabalha a auto-estima, o respeito dessas mulheres por si mesmas'', diz a diretora cultural da Didá, Vivian Queirós.
''Nossa referência é a princesa Anastácia, uma negra muito bonita que foi trazida para o Brasil como escrava. Falar dela é uma maneira de despertar o orgulho da afro-descendência'', explica.
Depois do axé, um novo ritmo está tomando conta de Salvador: o arrocha. Com letras que dizem: ''Faz do jeitinho que ele gosta/ Arrocha, arrocha'', o ritmo uma mistura de seresta e forró com som de teclado, letras bregas e dança sensual, claro está longe de ser uma unanimidade. De toda forma, bares populares, como o do Posto de Gasolina, no Largo do Tanque, e o Recanto do Ogum, na Madeireira Brotas, perto da rodoviária, já aderiram ao ritmo.
Para evitar polêmicas, vá ao Bar do Pimenta, na Boca do Rio. Mas só na segunda-feira. Não, o estabelecimento não é mal frequentado nos outros dias. É que o Pimentinha, o folclórico dono do bar que dá passe em todo mundo que ali chega, só o abre às segundas-feiras. Com música ao vivo e decoração kitsch telefones, partes de computador e discos pendurados , há anos é uma das únicas baladas que rolam em Salvador nesse dia da semana. (K.A.)

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