Imagem ilustrativa da imagem Carnaval do Rio tem prefeito 'Judas' e presidente 'Drácula'
| Foto: Mauro Pimentel/AFP



As escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro incendiaram o Sambódromo neste domingo (11), na primeira das duas noites de desfile, que teve conotação de crise política e social.

Carros que criticavam o prefeito evangélico Marcelo Crivella, que cortou a verba para os desfiles, ou exibiam o presidente Michel Temer como um vampiro foram alguns dos destaques da noite. Sete das 13 escolas do Grupo Especial desfilaram na noite deste domingo, e outras seis o farão nesta segunda-feira (12), até o amanhecer.

A escolas de samba tiveram que lançar mão da criatividade depois que o prefeito Marcelo Crivella reduziu pela metade o subsídio municipal, alegando o impacto da crise financeira.

Após a polêmica, Crivella adotou um tom mais conciliador e reconheceu, na última sexta-feira, que a celebração, que atrai mais de 1 milhão de turistas para a cidade e gera mais de 1 bilhão de dólares, poderia "devolver o otimismo" à população. O desfile da Mangueira, que aconteceu de madrugada, teve o tema "Com dinheiro ou sem dinheiro eu brinco", e proclamou, provocante: "Pecado é não se divertir no carnaval". Em um dos carros alegóricos da escola verde e rosa, o prefeito retratado como "Judas".

PRESIDENTE DRÁCULA

Outra escola, a Paraíso do Tuiuti, apresentou um enredo com o tema "Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?", que lembrou que, este ano, completam-se apenas 130 anos desde o fim desta forma de exploração humana no Brasil, sem que suas sequelas tenham sido eliminadas.

Várias alas foram dedicadas a lembrar este fato, como o alto nível de desigualdade social, a exploração do trabalho rural e em oficinas industriais, e o trabalho informal. Também denunciaram a recente reforma trabalhista, que flexibilizou as normas de contratação e demissão. Em um dos carros alegóricos, uma figura de "Drácula" ganhou os traços do presidente Michel Temer.

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