Domingo, dia 16. Auditório Stravinski. Tudo pronto para começar a noite intitulada ‘‘Carnaval de Olinda’’. A atração principal, a desconhecida Orquestra de Frevos, foi quem comandou a noitada com convidados especiais. Para a abertura, Alceu Valença e sua banda. Com muita energia, e com total controle sobre o público, Alceu se deu ao luxo de parar em umas das músicas, reclamando que não estava ouvindo a harmonia. Parou, explicou-se e continuou. Alternando bons arranjos, acompanhado do seu grupo, ou com violão e voz, ele ganhou a platéia e passou a bola para a Orquestra de Frevos em alto estilo. Enquanto a noite brasileira esquentava no auditório, nos bastidores o que se via era um clima nervoso, com o Mazolla (consultor para assuntos brasileiros do evento), correndo para tentar agradar uma das estrelas da noite: Elba Ramalho. Visivelmente contrariada, a cantora estava indignada ao saber que a duração de sua apresentação seria de apenas vinte e cinco minutos – o mesmo tempo seria destinado a Nana Vasconcelos. A última apresentação foi com a Banda Eva e que teve duração maior. De cara fechada, Elba andava de um lado para o outro com Mazzola atrás.
Voltemos ao auditório. Com o final da apresentação de Alceu, entra a Orquestra de Frevos, que de orquestra não tem nada. Trio de sopros, quatro percussionistas lindas (duas delas que acompanhavam Nana), baixo, bateria, teclado e uma incrível precisão rítmica. Depois de quatro músicas executadas de forma competente, foi anunciado o grande nome da noite : Naná Vasconcelos, descrito no programa do festival como o melhor percussionista do mundo. Ele entra timidamente, mas quando começa a tocar revela-se um verdadeiro maestro. Ele tem o dom da música, e proporciona momentos mágicos comparáveis ao filme ‘‘Sonhos’’ (Akira Kurosawa). Silêncio na platéia, todos reconhecem a genialidade do mestre. Sai Naná, entra a ‘‘guerreira’’ Elba Ramalho. Mesmo contrariada com a obrigatoriedade de abrir a apresentação para a Banda Eva, Elba arrasa. Logo termina o seu tempo, e ela consegue o impossível na Suíça: quebrar o horário estabelecido. ‘‘Preciso terminar’’, diz ela ao público. Claude Nobs, diretor do festival, entra no palco com flores para Elba – uma espécie de pedido de desculpas – que canta mais duas músicas e sai sorridente.
Quando é chegada a hora da Banda Eva, já se pode notar a magia que a música brasileira possui, mesmo com os grandes shows que passaram por aqui. Nem mesmo o som comercial e descartável da Banda Eva consegue apagar o brilho da nossa cultura musical.

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