'Carnaval de Olinda' agita noitada suíça
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quinta-feira, 20 de julho de 2000
Cleverson Garrett De Montreux (Suíça) Especial para a Folha2 
Domingo, dia 16. Auditório Stravinski. Tudo pronto para começar a noite intitulada Carnaval de Olinda. A atração principal, a desconhecida Orquestra de Frevos, foi quem comandou a noitada com convidados especiais. Para a abertura, Alceu Valença e sua banda. Com muita energia, e com total controle sobre o público, Alceu se deu ao luxo de parar em umas das músicas, reclamando que não estava ouvindo a harmonia. Parou, explicou-se e continuou. Alternando bons arranjos, acompanhado do seu grupo, ou com violão e voz, ele ganhou a platéia e passou a bola para a Orquestra de Frevos em alto estilo. Enquanto a noite brasileira esquentava no auditório, nos bastidores o que se via era um clima nervoso, com o Mazolla (consultor para assuntos brasileiros do evento), correndo para tentar agradar uma das estrelas da noite: Elba Ramalho. Visivelmente contrariada, a cantora estava indignada ao saber que a duração de sua apresentação seria de apenas vinte e cinco minutos o mesmo tempo seria destinado a Nana Vasconcelos. A última apresentação foi com a Banda Eva e que teve duração maior. De cara fechada, Elba andava de um lado para o outro com Mazzola atrás.
Voltemos ao auditório. Com o final da apresentação de Alceu, entra a Orquestra de Frevos, que de orquestra não tem nada. Trio de sopros, quatro percussionistas lindas (duas delas que acompanhavam Nana), baixo, bateria, teclado e uma incrível precisão rítmica. Depois de quatro músicas executadas de forma competente, foi anunciado o grande nome da noite : Naná Vasconcelos, descrito no programa do festival como o melhor percussionista do mundo. Ele entra timidamente, mas quando começa a tocar revela-se um verdadeiro maestro. Ele tem o dom da música, e proporciona momentos mágicos comparáveis ao filme Sonhos (Akira Kurosawa). Silêncio na platéia, todos reconhecem a genialidade do mestre. Sai Naná, entra a guerreira Elba Ramalho. Mesmo contrariada com a obrigatoriedade de abrir a apresentação para a Banda Eva, Elba arrasa. Logo termina o seu tempo, e ela consegue o impossível na Suíça: quebrar o horário estabelecido. Preciso terminar, diz ela ao público. Claude Nobs, diretor do festival, entra no palco com flores para Elba uma espécie de pedido de desculpas que canta mais duas músicas e sai sorridente.
Quando é chegada a hora da Banda Eva, já se pode notar a magia que a música brasileira possui, mesmo com os grandes shows que passaram por aqui. Nem mesmo o som comercial e descartável da Banda Eva consegue apagar o brilho da nossa cultura musical.


