Um ‘‘ataque de moralismo’’ pode impor camisa-de-força ao Carnaval de Rua de Cascavel, com a recomendação da Secretaria de Cultura e Turismo para que seja evitada a presença de mulheres nuas no desfile de blocos, na noite de domingo. O secretário Eduardo Marassi garante que não se trata de nenhuma censura medievalesca, mas apenas de tentar evitar constrangimentos ‘‘para as famílias’’ que tradicionalmente lotam a Avenida Brasil, local do desfile, ‘‘porque é o Carnaval da comunidade’’.
A polêmica começou quando o bloco Unidos de Cascavel anunciou a procura de mulheres bonitas e boas de ginga para serem ‘‘destaques’’ em carros alegóricos, obviamente exibindo todos os dotes de seus corpos. Emissoras de rádio colocaram o ‘‘procura-se’’ como pauta polêmica durante vários dias, e enquetes com populares mostraram que o conservadorismo prevaleceu: nada de nu na avenida. Em anos anteriores, o Unidos ‘‘quase’’ fez isso - a folha de parreira protegeu a genitália - mas sem anunciar, e foi muito aplaudida.
O Unidos é o maior bloco, com aproximadamente quatrocentos integrantes, e o mais popular, pois representa os bairros. Seus representantes - e os dos demais - ouviram ontem de Eduardo Marassi, em reunião na Secretaria de Cultura, o pedido de que haja ‘‘moderação’’. Os blocos desfilarão a partir das 20h30 do domingo. Além do Unidos de Cascavel, estarão na avenida o Anjinhos (250 integrantes), e, com 150 integrantes cada um, Metralhas, Largados, Fuja Louca e Unidos da Vila.
A festa em Cascavel começa amanhã com a entrega da Chave da Cidade ao Rei Momo, Joacir de Oliveira. Ao seu lado, a Rainha, eleita no final da semana passada, Míriam Alves, 23 anos, representante do Clube Comercial. No mesmo local, no sábado, às 22 horas, acontecerá o Baile Municipal, com o trio elétrico Cavalo de Tróia, de Porto Alegre (RS), e na segunda-feira, no mesmo horário, o Concurso de Fantasias.