Ter o ‘‘samba no pé’ independe da idade e é isso que ficou comprovado na Eleição da Porta-Estandarte da Terceira Idade, realiza ontem à tarde, no Salão Social do Sesc, na Rua Fernando de Noronha. Essa é a segunda vez que esse tipo de evento é realizado e o bloco ‘‘Recordar é Viver’’ (terceira idade e Clube do Carro Antigo) abre, nesta sexta-feira, a partir das 20h30, os desfiles do Carnaval 2004, no Autódromo Internacional Ayrton Senna. A expectativa é que o bloco reúna mais de 200 pessoas.
  Ao som de marchinhas antigas de carnaval, as seis concorrentes esbanjaram ginga e energia ao desfilarem no salão para a mesa de jurados composta pela secretária do Idoso, Maria Angela Santini, e mais outros três representantes da secretaria: Maria Edilaine Sanca, Célio Camilo e Cíntia Deliberador. Concorreram à porta-estandarte Alzira Germano, Dolores Garcia, Maria Helena Severino, Tereza Rufino, Maria Aparecida Augusto e Gizélda Silva – todas com idade entre 60 e 67 anos.
  A faixa de porta-estandarte ficou com a última candidata, a auxiliar de enfermagem Gizélda Silva, 67 anos, que mostrou muita graciosidade ao desfilar ao ritmo de ‘‘Chiquita Bacana’’ – célebre marchinha, composta por João de Barro, o Braguinha, e Alberto Ribeiro, que ficou imortalizada na voz de Emilinha Borba.
  ‘‘Nossa! Estou tão feliz que as minhas pernas estão tremendo, parecem uma gelatina’’, brincou, emocionada, Gizélda, poucos minutos após receber a faixa da porta-estandarte do ano passado, Dirce Siqueira, 64 anos.
  Gizélda contou que a última vez que desfilou no carnaval foi há 30 anos, quando morava em São Paulo. O nome da escola era Camisa Verde, do Jardim Peruchi, bairro paulista. ‘‘Mas nunca fui porta-estandarte e a emoção é muito grande. Não vejo a hora de chegar o dia do desfile e ver toda minha família torcendo por mim’’, afirmou.
  Outra participante do grupo, a aposentada Francisca Lopes, 60 anos, também não está aguentando a expectativa para desfilar no bloco da terceira idade. Com fantasia improvisada, contou que esse é o segundo ano consecutivo que desfila e que acha o carnaval uma grande expressão de alegria. ‘‘Foi uma experiência maravilhosa ter desfilado no ano passado, ainda mais que fazia 20 anos que não fazia isso. Antigamente não gostava muito de carnaval, mas agora vejo que é algo muito sadio e saudável’’, disse. ‘‘O carnaval não é mais como era antigamente, mas temos que acompanhar a evolução dos tempos e sempre saber viver e se divertir’’, acrescentou.
  A secretária do Idoso, Maria Angela Santini, ressaltou a importância de mostrar para jovens e adultos que o idoso também sabe se divertir e expressar sáude. Ela informou que a iniciativa de montar em Londrina um bloco com idosos, há dois anos, foi uma idéia que já está sendo aproveitada em outros municípios. ‘‘É muito interessante criar esse tipo de tradição em Londrina, até porque é a cidade paranaense que, proporcionalmente, tem o maior percentual de idosos, um total de 43 mil’’, destacou. ‘‘Os idosos adoram participar do carnaval e é uma oportunidade a mais para mostrarem todo o seu valor, garra e alegria’’, comentou.

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