Rio de Janeiro - Dez agremiações do Grupo Especial do Rio de Janeiro mostrarão novidades na Marquês de Sapucaí, que vão desde uma homenagem a Xuxa a um enredo sob encomenda de usineiros. Também caíram no samba a camisinha, a internet, o pau-brasil, Minas colonial e a educação para o trânsito. A Amazônia será o tema de Portela e Beija-Flor. As escolas de samba Portela, Tradição, Império Serrano e Unidos do Viradouro aceitaram a sugestão da Liga de reeditar antigos enredos.
- São Clemente - A agremiação de Botafogo usa o período do governo de Maurício de Nassau para criticar a falta de seriedade das classes dirigentes. Ao inaugurar a ponte sobre o Rio Capiberibe, o holandês garantiu que do outro lado haveria um boi voador. O povo pagou pedágio para ver um boi de mentira.
- Caprichosos - A escola que revelou Luma de Oliveira como madrinha de bateria, em 1987, homenageia Xuxa, a Rainha dos Baixinhos, que participará do desfile.
- Unidos da Tijuca - A criatividade humana, da pré-história ao futuro, é o tema da agremiação, que promete transformar a passarela em máquina do tempo.
- Acadêmicos do Salgueiro - A escola, que já usou suas cores (vermelho e branco) para anunciar a TAM, recebeu este ano R$ 1 milhão da empresa J. Pessoa para cantar elogios ao setor sucroalcooleiro.
- Acadêmicos do Grande Rio - Mais uma vez polêmico, Joãosinho Trinta fala de sexo seguro na avenida. A Igreja Católica criticou o tema, mas não fez nenhuma intervenção, ao contrário do que ocorreu com o censurado carro alegórico Cristo Mendigo, há 15 anos.
- Mangueira - Apesar de ter financiado a escola, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, não é presença garantida. A escola verde-e-rosa conta como o ouro de Minas chegava ao Porto de Paraty, no Rio, de onde era levado para Portugal.
- Portela - A águia encerra o primeiro dia, trazendo de volta o enredo Lendas e Mistérios da Amazônia, campeão em 1970. A escola tem como trunfos a simpatia da Velha Guarda, o charme de Paulinho da Viola e a popularidade de Zeca Pagodinho. À frente da bateria estará Dodô, pastora de 83 anos.
- Tradição - Primeira a desfilar no domingo, a Tradição homenageia a cantora Clara Nunes e outros portelenses históricos, como o fundador da escola, Paulo da Portela, e o bicheiro Natal, seu presidente mais famoso. O enredo deu à Portela a última vitória, em 1984, quando havia um título para o sábado e outro para o domingo.
- Porto da Pedra - A história da comunicação entre os homens fará a escola de São Gonçalo ir da Idade da Pedra ao século 21, passando pela ''velha China'' e o Império Romano. O Tigre, símbolo da agremiação, ''se transforma no correspondente da humanidade''.
- Imperatriz Leopoldinense - A escola de Ramos, zona norte do Rio, é patrocinada pela prefeitura de Cabo Frio. O enredo da escola fala da árvore que deu nome ao País. Foi em Cabo Frio que o navegador Américo Vespúcio construiu o primeiro entreposto comercial de pau-brasil.
- Império Serrano - Também mergulha no passado, com o enredo histórico Aquarela Brasileira, de 1964. A música, antológica, é do compositor Silas de Oliveira, o inventor do samba-enredo. A inspiração, obviamente, é o clássico homônimo de Ari Barroso. Conta com a simpatia do público e a garra de seus componentes para fazer bonito.
- Beija-Flor de Nilópolis - A campeã de 2003 vai para a avenida defender o título. O enredo destaca a cobiça de estrangeiros em relação à Amazônia, como fica claro nos primeiros versos: ''A ambição cruzou o mar/ Trazida pelo invasor.''
- Unidos do Viradouro - Responsável pela introdução da batida funk no carnaval das escolas de samba, a escola de Niterói reprisa o enredo de 1975 da Unidos de São Carlos, que depois se tornaria a Estácio de Sá.
- Mocidade Independente de Padre Miguel - Em 2003, o carnavalesco Chico Spinosa surpreendeu com um bonito desfile sobre doação de órgãos. Este ano, repete a dose politicamente correta, falando de educação no trânsito.

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