São Paulo, 24 (AE) - Transformado pelo cinema e pela TV num dos clássicos mais populares (à exceção, é claro, do temerário Bolero, de Ravel), até para quem odeia clássicos, a cantata cênica Carmina Burana, de Carl Orff, será apresentada amanhã (25), terça-feira (26) e na quarta-feira (27) no Teatro Municipal de São Paulo, na série dos Patronos do Theatro. A regência é de Luiz Fernando Malheiro, à frente da Orquestra Sinfônica Municipal, do Coral Municipal e do Coral Infantil ECO. Os solistas são os brasileiros Simone Foltran (soprano), Paulo Szot (barítono) e o tenor argentino Juan Dieglo Flórez. Os ingressos variam entre 10 e 70 reais.
Para dar uma atmosfera dramática extra ao coro de Orff, o videomaker Rubens Velloso criou um "pano de fundo" visual projetado em dois telões de alta definição, com pinturas de Brueghel, Bosch, Grunewald, Weyden (bem no clima medieval da cantata) e fragmentos de filmes de Pasolini, Tarkovski e Dreyer. "O conceito que procuramos desenvolver para esse espetáculo visa a penetrar profundamente no espírito e no coração da obra, alargando o pensamento e a emoção do espectador para além das palavras e dos sons, pois o movimento poético dos versos da Carmina Burana significam também uma ação no espaço, que se traduz em música, poesia, cor e luz", explica Velloso.
Foi num mosteiro beneditino em Beuren (daí, o Burana), na Baviera, que foram encontrados, no século 12, os manuscritos de um conjunto de canções (por isso, o carmina, que, em latim, significa canções) de compositores anônimos da Idade Média, do qual Orff selecionou 25, arranjadas em três grupos temáticos: a primavera, a bebida e o amor. A obra estreou em Frankfurt, em junho de 1937, e foi um imenso sucesso. A ponto de encantar até mesmo o fuhrer, que elegeu o compositor como um dos poucos músicos a ganhar a aprovação do regime nazista. Afinal, retomando um passado idílico germânico, com ritmos intensos e as morais de senso comum, Carmina Burana cabia perfeitamente na agenda cultural do ditador.
Inspirada em Debussy, Strauss e Monteverdi (em especial no coro de abertura, A Fortuna), a cantata de Orff sobreviveu ao fim do 3.º Reich e chegou até o presente, incluída na trilha de filmes (como "Conan, o Bárbaro", "Excalibur" e "The Doors"), como jingle de propagandas diversas e até mesmo como abertura de um show de Michael Jackson, cercada por fogos de artifício. É um dos CDs eruditos mais vendidos do mercado, apenas perdendo para As Quatro Estações, de Vivaldi. No Brasil, foi montada pela primeira vez em 1970, no Municipal, com coreografia de Johnny Franklyn.

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