As expectativas são as melhores possíveis. O espetáculo, cujos ensaios estão correndo a todo vapor, une pessoas gabaritadíssimas tanto artística como tecnicamente. Portanto, a encenação da cantata ‘‘Carmina Burana’’, que acontece hoje e amanhã, às 20h30, no Cine-Teatro Ouro Verde, tem tudo para ser um evento memorável. Daqueles que há tempos Londrina precisava. Precisava não, merecia.
Grandioso, pomposo e - por que não? - histórico, o projeto ‘‘Carmina Burana’’, escrito por Carl Orff, vai reunir no mesmo palco 115 artistas. A montagem londrinense vai seguir rigorosamente a versão original do compositor. Ou seja, sem orquestra, com dois pianos, percussão, 10 bailarinos e quatro atores. Os coros e os cantores solistas vão cantar em latim, enquanto os atores irão declamar sonetos, poesias e fábulas em português. No total, 1h40 de espetáculo, com um pequeno intervalo de 10 minutos.
Arquivo FolhaAylton Escobar veio a Londrina reger o espetáculoEm breves palavras, trata-se de um casamento harmonioso entre música, dança e teatro. ‘‘Espero que o público fique atônito ante tantas informações’’- diz o pianista Marco Antonio de Almeida, idealizador e diretor da montagem. ‘‘A simples menção de ‘Carmina Burana’ já deixa todos eletrizados’’- resume o maestro Aylton Escobar.
Ambos têm toda razão para estar entusiasmados. É que um projeto dessa envergadura depende não só de idealismo mas também de muito profissionalismo, apuro técnico, estético e ousadia. A idéia partiu de Marco Antonio Almeida quando indagado pela cúpula da Vivarte Produções Culturais, promotora do evento, o que se poderia fazer de ‘‘diferente’’ para o início da temporada 99. Imediatamente lhe veio à cabeça a montagem de ‘‘Carmina Burana’’, tal qual concebeu Carl Orff. ‘‘Há tempos estava namorando essa idéia’’- admite Marco Antonio.
Uma vez aprovado, ele pôs mãos à obra. Contatou grupos locais, nacionais e até internacionais para fazer parte da empreitada, no final do ano passado. Contatos feitos, elenco confirmado. De Londrina, os atores Maria Fernanda Coelho, Remir Trautwein, Valéria Victorio e Alisson Pedrão (do grupo Proteu), os bailarinos do Ballet de Câmara da Cidade de Londrina e o coro infantil da Universidade Estadual de Londrina.
Arquivo FolhaMarco Antonio de Almeida é o diretor-geral de ‘‘Carmina Burana’’De fora, o Coral Paulistano do Teatro Municipal de São Paulo, Coro da Camerata Antiqua de Curitiba, o Grupo de Percussão da Unesp, além dos cantores líricos Dênia Campos (soprano), Sebastião Teixeira (barítono), Paulo Mestre (contratenor) e do maestro Aylton Escobar. Do exterior, os pianistas Chiho Osada e Piotr Oczkowski, ambos radicados na Alemanha.
O custo total do projeto não foi revelado. Sabe-se apenas que recebeu recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura e Lei Rouanet. ‘‘A coisa mais bonita desse projeto é o fato de uma cidade como Londrina promover o encontro de grupos de diversas partes e todos de altíssimo nível. Melhor ainda é que todos estão integrados no espírito de troca energética-musical’’- diz Marco Almeida. Para que sua concepção de ‘‘Carmina Burana’’ acontecesse por aqui, foi necessário fazer algumas adaptações no Cine-Teatro Ouro Verde.
Por exemplo: as três primeiras fileiras de poltronas foram retiradas para poder acomodar dois pianos de cauda, o naipe de percussionistas e o maestro. Os dois avancée do palco serão igualmente aproveitados para que o restante do elenco ganhe espaço suficiente para mostrar suas respectivas performances. Ainda na categoria improvisação, um detalhe curioso: enxadas serão utilizadas, em determinados trechos, como instrumento percussivo pois, de acordo com o maestro Aylton Escobar, dão o som similar ao de sinos.
Cesar AugustoO Ballet de Câmara de Londrina também integra o espetáculo multimídiaOu seja, a criatividade mais uma vez foi evocada para dar o brilho necessário à montagem de ‘‘Carmina Burana’’ em Londrina. Isso tudo seria perfeitamente contornado se houvesse (ah, se houvesse...) um teatro capaz e adequado para eventos desse porte. ‘‘É uma ousadia fazer essa montagem se levarmos em conta as condições do nosso teatro’’- frisa Marco Antonio Almeida.
O maestro Aylton Escobar é mais incisivo: ‘‘Deveria-se aconselhar a cidade a construir um teatro porque Londrina tem uma positiva arrogância por causa dos eventos importantes que mantém. Por isso é natural que se apresse a construção desse teatro. Londrina é uma realidade e não se pode considerar uma mera cidade do interior. Só um governo extremamente inteligente verá isso.’’
Bem, o fato é que ‘‘Carmina Burana’’ será encenada. E com certeza vai encher os olhos e iluminar a alma do grande público que deve acorrer ao teatro, aliás, Cine-Teatro Ouro Verde, hoje e amanhã. ‘‘É um espetáculo que fala de esperança, de amor e também do destino que é único. E tudo isso vai estar numa moldura muito bonita’’- finaliza Marco Almeida.
•Carmina Burana, encenação da cantata profana de Carl Off. Hoje e amanhã, no Cine-Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 45). Direção-geral, Marco Antonio de Almeida. Regência, Aylton Escobar. Ingressos: R$ 10,00 (antecipados) e R$ 15,00 (na hora). Estudantes e idosos com identificação têm abatimento de 50%. Patrocinadores: Sercomtel, Banestado, A. Yoshi. Apoios: Comsistem, Crystal Palace Hotel e Universidade Estadual de Londrina. Realização; Vivarte Produções Culturais.

mockup