Se para a maioria quase absoluta da humanidade a morte representa o piedoso esquecimento, para uns raros mortais ela atua de modo contrário – dá-lhes vida no exato instante da ruptura existencial. Foi o que aconteceu com Carmen Miranda. Quando seu corpo tombava no quarto de sua casa em Beverly Hills, fulminado por um infarto, na manhã de 5 de agosto de 1955, congelava-se a imagem para a posteridade.
A exposição ‘‘No Chica-Chica Boom de Carmen Miranda’’, que abre hoje, às 19 horas, na Galeria da Caixa, em Curitiba, é mais uma evidência do fenômeno. Em torno das músicas que Carmen imortalizou, 20 artistas criaram as mais variadas colagens usando materiais como areia, resina, tinta e, é claro, papel. A mostra fica aberta ao público até o dia 24.
Os autores das obras pertencem à Associação dos Artistas Plásticos de Colagem – AAPC, entidade criada em São Paulo, em 1980, por Robert Richard. Mais tarde contaria com o apoio de Deni Saez. São eles os coordenadores da exposição. Nestes 20 anos a AAPC deixou as galerias e museus para levar a arte aos espaços alternativos. A rua foi um deles.
A associação chegou às teses acadêmicas, promoveu dezenas de mostras itinerantes, realizou workshops, palestras, bienais de colagem, e interagiu com cinema, teatro e dança. Nesta arte, dizem Richard e Saez, ‘‘nada se perde, tudo se transforma’’. E mais: ‘‘Nosso trabalho procura desmistificar a colagem, vista por alguns apenas como arte escolar e decorativa’’.
No Chica Chica Boom de Carmen Miranda – Colagens tomando como tema os sucessos de Carmen Miranda. Abertura hoje, às 19 horas, na Galeria da Caixa, Rua Conselheiro, 280. Permanece até o próximo dia 24, de segunda-feira a sexta-feira, das 10 às 20 horas.

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